Sobre o livro
Todo o amor é tímido. E excêntrico, talvez. Não se previne nem se explica. Por tudo isso, não sei se deva escrever sobre o amor. Mas, também a mim, este livro me apanhou desprevenido. E talvez só isso tenha feito, tomado por hesitações, aventurar-me nele.
Porque é assim suponho eu que, em todos nós, se vive qualquer amor: de forma singular e com a descontração que só se tem diante dos gestos com qualquer coisa de banal. Por isso mesmo, não há como escrever sobre o amor.
Será mais ele que nos escreve a nós. O amor, neste livro, escreve-nos com doçura, deambula, procura caminhos. É um amor que explora, sempre curioso, os caminhos insondáveis do coração.
Ou do cérebro, porque se aventura também no reino da biologia, investiga a química real que nos move. Não satisfeito, deita-nos no divã quando calha, faz perguntas, deixa-nos inquietos, abandonaânos.
Mas volta sempre e conta-nos pequenas histórias, e percorre a Grande História, e fala da sexualidade, e inquieta-nos.E esse amor que nos escreve, pela mão de Eduardo Sá, é democrático, universal, por vezes travesso.
Todos nos revemos nele, todos nos reconhecemos e espantamos: se não é isto o amor, o que será?
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