Noite de Sombras e Morte: Contos que irão te perseguir

Por G. M. DHOSS

Sobre o livro

Quando existe alguma coisa dentro de nós nos enviando uma mensagem sinistra, o que podemos fazer para afastá-la? Viorel esforçou-se para evitar o pior, aquela voz sorrateira dentro de sua mente, impelindo-o a aterrorizar aquelas pessoas, impingir-lhes uma morte hedionda. Em “O inferno dentro de nós”, a batalha não é entre o bem e o mal, mas entre o mal e um mal mais diabólico, mais aterrorizador do que aquelas pessoas podiam imaginar.

“— Hoje vocês vão morrer. Não, não vai ser uma morte rápida, garanto. O que temos aqui? Água fervendo — apanhou a chaleira que descansava no chão, ao lado da mesa, fumegando vapor pelo bico — É para papai que adorava uma água ardente.

Vai arder e bastante — ele lançou uma gutural gargalhada — O que mais temos aqui. Vejamos. Alicate de corte diagonal. Hum!!! Quem vai perder os lindos dedinhos. Vejamos — esguelhou os olhos espremidos para sua mãe — Uma extensão de fio elétrico! Para que serve isso, afinal? Quem vai sambar no choque?

Vejamos o que temos aqui — ele segurou o queixo, deteve-se pensativo, como quem perscruta uma sugestão — Já sei! — levantou o braço com o dedo em riste e sorriu ironicamente — Água fervendo para fazer as unhas da minha namorada.

Perdão, ex-namorada — ele a encarou por alguns segundos, os olhos demoníacos — Lenuta, você adorava uma manicure e pedicure, tudo para se embelezar para meu querido amigo — apontou para Costel, a quem considerava agora ex-amigo, já que comia Lenuta, enquanto fingia se preocupar com ele.

Viorel sentia dificuldades de pronunciar o nome do infeliz ex-amigo — Como é mesmo o nome dele? Você me trocou por ele, SUA CADELA!!! “

Seus pais, seus amigos, seus irmãos, pessoas conhecidas lhe alertaram que o rio é um lugar traiçoeiro. Ele sabia disso, pois quase morrera afogado certa vez, quando foi salvo por um senhor ancião cujas notícias era de que havia falecido há anos. Por que então ele entraria naquele rio que o chamava para seu leito de morte sorrateiramente?

“As barrentas águas do Ikuiapa entonaram uma rajada mais forte sobre as pedras, como se reprimisse Acácio pela conduta indecorosa. A rajada foi ouvida por todos, com mais intensidade que o normal. Fez—se um silêncio e o coração de cada um deles se fez estremecer. O rio nunca se comportara daquela forma.”

“As barrentas águas do Ikuiapa se fizeram ouvir mais fortes, chicoteando as pedras próximas a margem, como se fosse uma represália às considerações de Gibraltar. Não havia passado nenhuma lancha para provocar aquelas ondas violentas. Eles se entreolharam.”

A corrida pela vacina contra a COVID-19 criou uma nova lenda urbana: a de que quem toma vacina vira jacaré. Em “Quem tem medo de virar jacaré?” Risoleta, uma septuagenária, se vê diante de um jacaré que a persegue insistentemente sedento por devorar seu frágil corpo célula por célula. O réptil não era um animal qualquer, ele surgiu, como um demônio, do seu bisneto.

“Pensando em se livrar do animal, acelerou a cem por hora numa vicinal e em seguida pisou abruptamente no freio. O jacaré voou de cima do veículo e seu corpo saiu capotando no asfalto. Risoleta ficou observando, pensando que o animal estava morto.

De repente, ele a encarrou, e saiu em disparada na sua direção, o corpo ziguezagueando, enquanto rabo balançava de um lado para outro. Mais que depressa, Risoleta pisou no acelerador, deu meia volta e zarpou.

Pelo retrovisor, o animal a seguia, o corpo em movimentos pendulares, de um lado para outro, os olhos vermelhos e os dentes brancos reluzindo a luz solar.”

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