Sobre o livro
Os 70 poemas deste livro compreendem o período de 2021, quando do lançamento de “Debaixo de um Carvalho em Ofra”, e abril de 2025. São quase quatro anos em que me dediquei mais aos contos, crônicas e textos diversos para a Revista Bulunga, e dois romances em construção.
Neste título, pude experimentar versos, ideias e conceber, se não no todo, na maior parte, um jeito diferente de trilhar outros caminhos. Nem sempre novos, apenas o olhar díspar.
Nada se refere a ineditismo, mas às novas concepções, esboços e rabiscos de um poeta em formação ou, como um amigo diz, “o despojar-se e ouvir a própria voz”.
A poesia, talvez por ser a arte mais ancestral de todas, abre caminhos para estilos, formas e imagens que outras não contemplam, ao menos a priori. Poesia é, de alguma maneira, independente do artista estar consciente ou não, o vínculo com Deus, algo celestial e sublime, mesmo aprisionada no tempo.
É o espírito a desapegar-se e encontrar o difusor propício ao consolo, à esperança e redenção da alma.
Nela estão elegias, cantos, salmos, louvores e toda a sorte de elementos ascéticos, e, até quando existe recusa em admitir, não se pode dissociá-la da sobre-humanidade, sem entrever elementos dos atributos divinos. Poemas são metafísicos. Poesia, transcendental.
O que se pode então dizer de “Na Eira de Ornã”? É um livro relacional, a apontar às muitas conexões e dependências: o visto, tocado, sentido, dado e recebido, as exigências da alma.
São fragmentos que unidos refletem o todo do capturado e liberto, colhido e semeado, sinais e mistérios, e muitas cicatrizes ostensivas ou camufladas; em resumo, e sendo pleonástico, um sumário.
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