Mosaicos II: vitória vila velha poté ponta da fruta foz do iguaçu paraguai
Por ROBERTO SOARES COELHOEnfim, podemos nos ver agora cara a cara com Maurício em minha cidade, a passagem pelo seu já famoso Deserto de Vitória. Neste segundo escrito retomo a sua história exatamente a partir de sua chegada por estas bandas, após sair de Beagá. O que, numa sequência lógica, tem que ser feito logo, para dar uma visão mais clara de sua jornada existencial. Eu, particularmente, ao contrário do que possa parecer, não sou afeito a obscuridades, invencionices modernosas, vaivéns narrativos, enfim, confesso que sou das antigas. Então, só para reforçar: aqui será espaço exclusivo de nosso personagem, aqui será Maurício em estado bruto: sua militância política concreta, suas aventuras como contrabandista de peças de informática do Paraguai, suas vibrantes viagens, suas constantes frustrações com o emprego e com a minha cidade, seus amores e putarias com as suas duas companheiras, principalmente sua ambígua vivência amorosa com Mariane, que durou exatamente dezessete anos e quatro meses * E tentarei também construir uma tênue teia em torno da trajetória de Maurício rumo ao grupo de Viçosa – já comecei bem, bela dança com o t , no começo do parágrafo e já logo na Introdução. Mas começarei Por uma trajetória mais acessível – no caso, a minha própria; esclareço que, após passar por Cataguases, Ipatinga e Belo Horizonte, não resisti e voltei a Minas, passando umas semanas em Viçosa. Precisava conhecer mais de perto todas aquelas pessoas, antes de prosseguir rastreando a história de Maurício, no Espírito Santo, já que eu sabia que, após alguns anos em minha terra, ele faria contato com o grupo de Viçosa, o que seria de vital importância em sua vida. E essa minha passagem por lá se deu há apenas uns seis meses atrás, um pouco antes de começar este segundo escrito . * E nem seria preciso dizer que, tal como no caso dele, a minha aproximação com González e seus amigos mudou, por demais, a minha postura em relação ao meu existir no mundo. Mudou bastante até a minha forma de narrar. Tornei-me menos convencional, linear. Esse contato me deixou mais solto, certamente influenciado não apenas pelas presenças de Lázaro e de Helena, aos quais já tinha lido, claro, mas pela presença do próprio González e de Olavo, U., Ilídio, Murilo. Tornei-me brincalhão, inventivo. Como verão, deitei e rolei ao longo deste Mosaicos , tanto com relação às aliterações, às danças verbais com as letras, quanto em relação às minhas intervenções ou invasões na própria narrativa, em primeira pessoa. E não opus tanta resistência assim à invenção presente no terceiro que, em vez de continuar a história de Maurício, em sua fase final, enxertou outras histórias, somente mostrando o resto da história de nosso personagem ao final O que não significa que eu tenha abandonado todos os meus princípios e preferências no que se refere à linearidade, à clareza, ao ordenamento da narrativa, embora as minhas metamorfoses narrativas sejam cada vez mais visíveis e presentes, principalmente quando agradavelmente acompanhado de meu amigo Dom Vinho , como se verá ao longo deste Mosaicos. Mas não posso me estender muito sobre mim, ainda não, ainda tenho longa e, agora o sei, meio mórbida tarefa pela frente. Por isso é que, também não devo, ou não posso, falar muito acerca de minha inserção, ou de minhas relações com o grupo do professor Marçal, em minha cidade. Elas existem, são estreitas, mas serão desveladas no momento oportuno; repetindo, não sou eu o foco destes . * E, quanto à aproximação entre os dois grupos e, também, de Maurício com o grupo de Viçosa, aí é que eu me perco mais ainda, não me foram passadas informações exatas acerca de datas, pessoas, conversas, telefonemas, viagens; nem eu insisti muito sobre isso com González e seus amigos, tampouco com o professor Marçal, em Vitória.
Características do eBook
- Autor(a): ROBERTO SOARES COELHO
- Categoria: Literatura e Ficção
Amostra Grátis do Livro
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