Sobre o livro
De maneira inusitada, o novo romance de Toni Moraes começa com “o clímax da história”.
Contudo, diferentemente do que se poderia pensar, os acontecimentos que vão sendo narrados em flashback prendem nossa atenção até a última página com uma surpresa atrás da outra, numa sucessão vertiginosa em que o acaso e o absurdo parecem o tempo todo no comando, o que é obviamente resultado da trama tecida com maestria pelo escritor.
Diante do que há de terrível e sem-sentido nas situações em que o sujeito se envolve deliberadamente, mas que logo fogem ao seu controle e acabam se desenrolando à sua revelia, a perplexidade toma conta do leitor, mas é quase de imediato que se lembra de quão absurdo e assustador é tudo o que vem acontecendo no Brasil e que o próprio romance tão bem figura ou deixa entrever.
É ainda no início de Morto não me serves de nada que o narrador-protagonista afirma, contra todas as evidências por ele mesmo apresentadas, não ser o bandido da história.
E o que o leitor vai aos poucos descobrindo é que, como também em nossa história recente, não há mocinhos em qualquer parte, muito embora os bandidos sejam de calibres bem diversos.
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