MORRER NA OUTRA MARGEM: romance

Por António Breda Carvalho

Sobre o livro

Lisboa, 1922.

Fernando Pessoa assume a segunda edição de Canções, de António Botto, com publicação, na revista Contemporânea, do artigo O Ideal Estético de António Botto, texto que despertou, na imprensa e nos académicos lisboetas, imbuídos de moralidade conservadora, uma reação de combate ao livro que continha versos explícitos de homoerotismo.

Este foi o ponto de partida para o desenvolvimento de uma polémica literária, que acabou por arrastar o livro de estreia de Judith Teixeira, Decadência, caso que teve a participação de nomes ilustres das letras portuguesas, incluindo Álvaro de Campos, pela mão de Fernando Pessoa, cujo desfecho foi a apreensão e a destruição dos livros censurados.

Romance que retrata uma época cultural marcada pela afirmação do modernismo português e de uma classe social antagónica aos princípios da liberdade estética, agindo de acordo com uma mentalidade moralmente conservadora, reacionária, prenunciadora do fascismo que, poucos anos depois, viria a instalar-se.

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