Miragens: Conversas filosóficas com Clarice Lispector

Por Guiomar de Grammont (Org.)

Sobre o livro

Prefácio: Um diálogo e treze desdobramentos Nádia Battella Gotlib Quem são os peixes?

Reflexões sobre A mulher que matou os peixes, de Clarice Lispector Aline Monteiro Homssi Desdobramentos do olhar: Animalidade no conto Tentação, de Clarice Lispector Brenda Korczagin Hernandes A biblioteca de Clarice Lispector Emiliano Mastache De profundis: Uma leitura de Clarice Lispector Isaías Gabriel Franco Do estado de ser ao espanto de ser no mundo.

Uma leitura existencial de Amor, de Clarice Lispector Lívia Vargas-González Matar o que nego, perdoar o que sou: Sentido e desejo em Nietzsche e Clarice Lispector Pedro Henrique Santos Rocha Entre a palavra e o silêncio: A estrangeiridade camusiana no conto Amizade sincera, de Clarice Lispector Phabyo Laurenço da Costa Selvagemente subversivos: Entre o deus-natureza de Spinoza e o deus-it de Lispector Raquel Wachtler Pandolpho Clarice e as imagens vivas de um corpo vivo (por um coração selvagem) Renata Luize Pinheiro Carrara Quando Clarice Lispector implodiu a dialética: Uma breve leitura para o conto A criada Rodrigo Rocha Rezende de Oliveira A indústria cultural e o trágico na novela A hora da estrela, de Clarice Lispector Sofia Andrade Machado Escrita como phármakon em Clarice Lispector Venúncia Coelho A singela solitude de Margarida: Comentário ao conto O grande passeio Wesley de Faria Leonel Posfácio Guiomar de Grammont Trecho do Prefácio escrito por Nádia Battella Gotlib: “A literatura de Clarice se constrói com base num constante questionamento centrado no seu próprio processar-se, ou seja, nas questões referentes à linguagem, ou melhor, à filosofia da linguagem, e à arte, ou seja, à filosofia da criação artística.

O bom resultado dessa vertente exige, no entanto, erudição e sensibilidade, que os treze autores souberam bem cultivar e registrar nos seus respectivos textos. A matéria, germinada em trabalhos acadêmicos ligados à disciplina de filosofia da arte, foi direcionada para a literatura de Clarice.

Feita a conexão, restava a cada um escolher o seu caminho. Caminho feito, eis os resultados diante de nós.

De um lado, a disciplina diante do rigor na seleção dos embasamentos teóricos e críticos, que nos trazem Clarices segundo pontos de vista diversos, num desfile de filósofos que incluem, entre outros, Platão e Santo Agostinho, Spinoza, Nietzsche, Heidegger, Walter Benjamin, Paul Ricoeur, Gilles Deleuze, Jacques Derrida, Silvia Federici, a permitir, paralelamente a posturas críticas, um mural de posicionamentos teóricos no campo da filosofia.

De outro, uma certa soltura criativa, incentivada pela mestra/maestra dessa aventura, a escritora Guiomar de Grammont, no convite ao deixar-se envolver pelo texto literário, sem amarras cerceadoras.

Como estabelecer a conexão, ficou a cargo de cada um dos autores aqui presentes, que primaram por manter um pé na ‘academia’, desenvolvendo com rigor critérios de análise dos postulados teóricos no campo da filosofia, se esmerando na boa escolha dos suportes; e outro pé no campo do ‘imaginário’, ao enveredar pela trilhas de Clarice, auscultando e percebendo os detalhes de construção dos seus contos, crônicas, romances, infiltrando-se no emaranhado das figurações, a explorar os ‘sentidos’ nas suas linhas e entrelinhas.”

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