Sobre o livro
Se qualquer ser de outro planeta pudesse visitar o nosso, com certeza, ao analisar os habitantes, pensaria que eles todos caminham para uma distante meta, e que o que eles determinam com o nome de VIDA, não passa de uma condição temporária no seu próprio país.
Este visitante encontraria poucas pessoas que sabem aproveitar o momento presente. A maior parte fixa o pensamento constantemente no futuro.
Elas julgam que só poderão viver e aproveitar a vida, depois de adquirir fortuna, de aproveitar tudo o que julgam indispensável para a felicidade, de se desfazer de tudo que as incomoda ou as aborrece, quando, finalmente, for tudo harmonioso e confortável na roda delas, e os negócios correrem em plena prosperidade.
Não sabem aproveitar o momento presente. Em geral, o nosso olhar se fixa tão firmemente no futuro, em um alvo distante, que não podemos ver a beleza e a alegria que nos rodeiam. Vivemos à espera do que há de vir, e assim perdemos a capacidade de aproveitar a bondade e a beleza que a vida nos oferece.
Vivemos no amanhã, sem considerarmos que, a rigor, o amanhã não vem nunca, pois é sempre adiado para o dia seguinte. Parecemo-nos com as crianças que desejam tocar o arco-íris. Que felicidade, se colocássemos as mãos nele!
Não pensamos que o momento que vale a pena viver é o presente, porque imaginamos que será melhor o futuro. E assim, a maior parte vive descontente, nervosa, agitada e infeliz. Temos um olhar inquieto que parece invadir o horizonte, e que prova não viver o presente.
Muitos se preocupam com o passado, lamentam as ocasiões perdidas e a fortuna que não souberam aproveitar. Ao fazerem isso, desprezam o momento presente que lhes parece valer pouco.
Causa espanto verificar as forças que perdemos lamentando o passado, e só tardiamente compreendemos o que deveríamos ter feito. Como procederíamos de outra forma se pudéssemos voltar às situações passadas!
A felicidade de inúmeras pessoas tem sido comprometida pela lembrança das faltas cometidas ou de experiências desastrosas ocorridas no passado. Para sermos felizes devemos aprender a esquecer, a enterrar recordações tristes.
Essas recordações só podem roubar a energia que tanto nos é necessária para corrigirmos os nossos erros e compensar os desacertos.
Perguntaram certo dia a um velho rendeiro, em uma sessão de um congresso agrícola, qual era a sua opinião sobre a qualidade de terreno necessária para a prosperidade de uma determinada espécie de fruto. O velho respondeu: Isso tem pouca importância.
Mais do que o próprio terreno, vale a qualidade da pessoa que vai cultivá-lo. É que um rendeiro inteligente, trabalhador e hábil colhe lucros em um terreno estéril e pobre, ao passo que outros, sem estas qualidades, empobrecem-se, apesar de tratarem de terrenos ricos.
A nossa felicidade depende mais do estado de espírito do que das circunstâncias exteriores. Em condições ideais, todos somos capazes de achar facilmente a felicidade. Mas para ela brotar nas situações mais desvantajosas, é preciso sermos perfeitamente equilibrados e sabermos nos dominar.
Somente aqui está o paraíso: Ou temos a felicidade em nós mesmos, ou nunca a encontraremos.
A desgraça se origina em esperarmos um número excessivo de acontecimentos extraordinários, esquecendo-nos assim de pousar os olhos nas flores que seguem pela margem do caminho da vida, oferecendo-nos sua beleza, seu perfume e uma pura satisfação.
Muitas pessoas que na verdade tentam se desenvolver em tudo, não compreendem como poderiam achar a felicidade em uma vida humilde e comum, na profissão que escolheram por necessidade. . .
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