Sobre o livro
“Metamorfoses” constrói diálogos afetivos entre as experiências da autora, que é mulher transexual redesignada, autista e produtora de conteúdo sobre autismo, com postagens públicas de autistas transgêneros no Twitter.
Afinal, a incongruência de gênero é 7.59 vezes mais comum em autistas do que na população em geral. Porém, as discussões sobre autismo são arraigadas a controvérsias sobre gênero, sexualidade e autonomia.
Assim, por meio de uma perspectiva afetiva de pesquisa, Sophia Mendonça discute acerca dos modelos médico e social da deficiência e como se articulam com as narrativas sobre neurodiversidade.
Além disso, ela reflete sobre como as narrativas que emergem das características da pessoa autista, como hiperfoco e disfunções sensoriais, conversam com as questões de gênero. Também nesta obra, Sophia dialoga as próprias vivências com debates mais amplos e coletivos sobre autismo e transgeneridade.
Neste livro, ela registra que, no que se refere a afetos desagradáveis, a abjeção opera uma dinâmica violenta em relação às pessoas trans. Assim, o abjeto não é apenas o que causa repugnância.
Mas, principalmente, aquele que se encontra em espaço fronteiriço entre lugares de pertencimento e desafia a construção de uma subjetividade fixa e única. Portanto, é aquilo que deve ser repelido, rejeitado.
Contudo, também desestabiliza o sujeito, porque ele não pode se desligar daquilo que provoca a abjeção.
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