Mesmo que não esteja acordado

Por Guilherme Dearo

Sobre o livro

Mesmo Que Não Esteja Acordado reúne seis contos que se passam ao longo de vinte e quatro horas, entre uma noite de quinta-feira e a noite seguinte, em São Paulo. Cada texto é marcado por um horário preciso — não como metáfora, mas como limite: tudo o que acontece se concentra em poucos minutos, quase sempre dentro da mente dos personagens.

São histórias de espera, de iminência, de algo que precisa ser dito, feito ou decidido. Uma mensagem ainda não lida. Uma conversa que não começa. Uma carta que precisa ser escrita. Em meio a situações banais — a fila da padaria, a feira do bairro, o camarim de um teatro, o mercado, o táxi —, os personagens se enxergam atravessados por pensamentos obsessivos, ansiedades silenciosas e desejos difíceis de nomear.

O livro é construído em um retrato da cidade de solidões discretas. O que acontece por dentro — no pensamento, na memória, no medo — tem o mesmo peso do que acontece na rua. A São Paulo que emerge aqui não é a do excesso ou do espetáculo, mas a de encontros breves, vozes desencontradas, comunicações falhas, e, principalmente, a São Paulo de vidas que seguem mesmo quando não são observadas.

Com múltiplos pontos de vista e personagens de idades, gêneros, classes e experiências diversas, Guilherme Dearo compõe um mosaico urbano em que a vida continua mesmo quando alguém dorme, se cala ou hesita.

Um livro sobre solidão, desejo de comunicação e a sensação persistente de que algo está sempre prestes a acontecer.

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