Memórias Quase Íntimas – II

Por José Leon Machado

Sobre o livro

“E eu, que escrevo um diário desde os doze anos? Para que me tem servido? Purgar medos e frustrações, desopilar raivas que, doutro modo, cairiam sobre os outros, ou simplesmente a necessidade de fixar momentos para não esquecer, não fosse a memória traiçoeira. Publicar?

Não era esse o meu objetivo quando, aos doze anos, comecei a relatar num caderno surrado de capa vermelha aquilo que fazia durante o dia, numa linguagem simples e com a sintaxe e a ortografia estropiadas. E agora, pensarei em publicar? Não é que não pense.

O problema está em que isso não passa de um desejo nada realista. Ninguém publica um diário sem primeiro fazer uma carreira pública. E a minha carreira pública é ir de casa à garagem e da garagem à escola.”

Texto segundo o Novo Acordo Ortográfico.

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