Memória Esquecida

Por João Bonomo

Sobre o livro

De que adianta ter tido um amor na vida se não se lembra dele? Porque é preciso ter tanto se você nem sabe de onde tudo veio? De que vale uma vida construída, se aquilo que procurava não está junto com você agora?

Gino foi uma dessas pessoas que percorreu a vida sem se preocupar com essas questões. Queria o prático, perseguiu o convencional e logo agora, já chegando na reta final de sua existência, recebe a visita de Fausto que lhe traz péssimas lembranças que talvez fosse melhor não terem vindo à tona.

Vindo de uma família italiana, ele se lembra de seu pai, de seus meios-irmãos, mas não se reconhece como um deles. Em seu íntimo sempre se sentia deslocado no mundo, no tempo; e agora, como forma de redenção de uma vida oca, precisa encontrar um sentido maior. Contudo, não contava que para esta busca, personagens do passado e do seu passado exclusivamente tivessem que reaparecer. E isso lhe trouxe muita dor.

Dor essa que irá se expressar nas memórias com seu avô, ou melhor, seu tio-avô Pietro. Como se não bastasse o Pequeno Carlo também surge nesta névoa etílica que sempre cai às tardes na varanda da sua casa na península. E são esses momentos que ele passa sentido que não basta se lembrar dos fatos esquecidos, escondidos: é preciso ainda reestabelecer um final para eles. Gino só não sabia que isso aconteceria com ele.

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