Marcas de Catuá: Morrendo com o Rio Doce, vivendo da nascente à foz
Por Silvio EmerickSobre o livro
Romance histórico envolvendo quatro gerações de uma família de imigrantes alemães no Brasil no início do século XIX. Ambientado inicialmente na belíssima região mineira da Serra do Caparaó, relata a chegada dos Framberks no Brasil, homens desbravadores, tenazes e honrados.
A narrativa percorre outras cidades próximas, até chegar no município de Baixo Guandú-ES, em uma localidade bucólica chamada de Mailasque onde o protagonista, personagem singular, possuiu uma belíssima fazenda de produção de café, às margens do Rio Doce.
A natureza exuberante da região, o imponente rio, e a próspera economia cafeeira da região sofrem um declínio intenso, devastador e irreversível, principalmente a morte do Rio Doce. Em consonância, surgem os conflitos humanos, intrigas, crimes, mortes e tragédias.
Uma narrativa intensa com profundas reflexões, personagens marcantes e um final do conflito principal surpreendente que despertará grandes emoções nos leitores.
“… Instalaram-se inicialmente na região da Serra do Caparaó, aos pés do Pico da Bandeira, onde Felipe cresceu, casou e possuiu uma bela propriedade no Córrego da Companhia, vilarejo cercado de montanhas e de vastas florestas intocadas.
Esse lugarzinho bonito e bucólico tem, até hoje, fincada e resistindo às intempéries uma grande e centenária igreja presbiteriana que teve em cada tábua e prego a força e a habilidade dos Framberks.
Gigantescos jequitibás foram derrubados com o machado, suas enormes toras arrastadas do meio da mata virgem por tropas de burros, serradas manualmente e preparadas peça por peça para erguer o templo que representou imponentemente a fé e a determinação de toda uma geração de bravos imigrantes, colonizadores da região…”
“…A última lotação já estava de saída, não tinham dinheiro para mais uma noite de pensão e comida. Juntaram todos os réis que restavam, pagaram apertado duas amargas e caras passagens de volta.
Embarcaram no velho e ruidoso coletivo que arrancou lentamente deixando-os avistar no alto do morro o cortejo fúnebre, as meninas todas vestidas de saias vermelhas e blusas brancas subiam na direção do cemitério, carregando dentro daquela pequena caixa o irmão que eu não conheci…”
“…O Rio Doce sempre teve grande significação para aquela gente que morava em suas margens, dele provinha o sustento de pescadores e o meio de transporte que viabilizava a vida e toda a produção agrícola da região.
Entretanto, suas generosas águas testemunharam muitas desconformidades da vida, passaram rápidas sem olhar para traz, indiferentes às alegrias e as tristezas dos homens.
Toma-se um punhado nas mãos e elas se esvaziam num instante; não é possível deter a água sem que ela escape entre os dedos, menos ainda reter a vida no seu curso, da nascente à foz…”
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