Manifesto Socialista Funcional

Por Luiz Souza

Sobre o livro

Existe alguma experiência socialista bem sucedida?

Amamos ou odiamos o Socialismo, sem nem sequer defini-lo precisamente. Quem ama, o glorifica por qualidades que ele não tem; quem odeia, o demoniza por aquilo que ele não é.

Por fim, descartamos sumariamente tudo o que vem da esquerda ideológica em função do desastre marxista do século XX, mas não descartamos nada do que vem da direita ideológica depois do desastre nazifascista.

Esse reducionismo seletivo é um equívoco que associa o princípio do coletivismo à perda das liberdades individuais, um equívoco que nos leva a adotar soluções individualistas mesmo em áreas onde elas não deveriam prevalecer.

Precisamos ser capazes de discutir alternativas de esquerda sem reducionismos e preconceitos: acusar um esquerdista (até mesmo um socialista) de ser marxista é tão errado quanto chamar qualquer direitista de fascista.

Se pelo menos ambos os campos fossem tratados da mesma maneira, esses preconceitos eliminariam os extremos e nos levariam para o centro ideológico.

Mas a assimetria na nossa percepção sobre o que é esquerda e o que é direita produz dois efeitos perversos: renegamos todos os esquerdistas – mesmo os moderados – pelo nojo que temos do Marxismo, e ao mesmo tempo toleramos a convivência com fascistas pela afeição que temos por aquilo que imaginamos que a direita representa.

É um erro conveniente para pouca gente muito poderosa. Nossa fobia a soluções que privilegiem o coletivo nos leva a acolher o individualismo na prática política, o que normalmente significa um sistemático assalto aos cofres públicos em troca de benefícios privados .

O Manifesto Socialista Funcional analisa – sem dogmas ou preconceitos – uma experiência socialista funcional, orgânica e espontânea por aquilo que ela é, e não por aquilo que ela aparenta ser ou por aquilo que nós gostaríamos que ela fosse.

Desta análise surgem regras fundamentais para a melhoria do nosso decadente sistema político.

“Apesar de nunca ter passado perto de uma revolução socialista minimamente bem sucedida nem de nenhum governo que tivesse inclinação mais à esquerda que a socialdemocracia, o Brasil convive, desde 1930, com diversos efeitos colaterais do combate ao comunismo e da falta de compreensão sobre o que seria isso.

Getúlio Vargas, apesar de sua clara inspiração fascista, foi o grande responsável pela estatização da economia brasileira. A ditadura militar, que supostamente impediu que o Brasil virasse Cuba, não apenas manteve essa estatização, como a aprofundou.

Apesar de não ter derrubado a iniciativa e a propriedade privadas, os níveis de intervencionismo e protecionismo econômicos, burocracia, privilégios para a elite do funcionalismo público, radicalismo sindical e parasitismo político no Brasil são parecidos com os de países comunistas.

O país conseguiu a proeza de encampar os maiores males do Comunismo enquanto supostamente se protegia dele.”

“Nosso passado pode até ser entendido como um processo determinístico, mas nosso futuro certamente é probabilístico.

Há inúmeros caminhos a seguir, seja o totalitarismo de 1984, a guerra contra as máquinas do Exterminador do Futuro, o mundo sem petróleo de Mad Max, a imbecilidade generalizada de Idiocracia, o fascismo global do Homem do Castelo Alto, a teocracia totalitária do Conto da Aia, o avanço científico exponencial do Problema dos Três Corpos, o capitalismo monopolista de O Demolidor, o colapso civilizatório da Fundação, ou a harmonia interplanetária de Jornada nas Estrelas.

Não nos cabe escolher um futuro, apenas trabalhar para reduzir as chances de criarmos problemas e aumentar as chances de criarmos soluções.”

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