Sobre o livro
Esse é o livro de Humberto Henriques que acaba de sair da forma. O romance foi todo planejado, escrito e publicado em 2023. Apenas de atrasou um pouco em sua publicação, tornou-se público em primeiro dia de 2024.
O texto trata da vida da personagem em curso, como está mesmo ocorrendo com outros e últimos livros do autor que explora, agora em caráter universal, a individualidade de cada criatura e desvenda algum de seus mistérios e não/mistérios.
Muitas vezes a exploração introspetiva de cada caráter acontece de uma maneira bastante casual ou trivial, de tal maneira que quase passa sem percepção ao leitor o impacto dessa singeleza imediata.
Há que se ficar atento para esses detalhes, eles tão comuns na obra do romancista Henriques, e agora todos boiando no cadinho dessa força criativa exponencial.
No romance anterior a esse, Joaquim Rogério, Normal, Henriques busca as formas mais lúcidas de demonstrar a naturalidade e os desvelos em vida de uma personagem que, aparente e quase certamente, não seria digna de figurar em qualquer história romanceada ou novelesca.
Porém, é exatamente nesse fio de condução tenso que o autor conclama a especialidade de dar vida ao que antes estava sob cinzas. De tal maneira acontece, que a brasa não demora a mostrar suas gadanhas.
O fluxo e contrafluxo da narrativa se apodera da vida da personagem de uma maneira frontal e depois profunda, de tal sorte que o todo pode ser comprado à ave de rapina que cai sobre o lombo da presa e não mais ela pode se recolher à esperança da escapatória.
Portanto, quando o leitor se interessa mais pelo texto e nele mergulha com afinco, começa a perceber que o embate entre introversão/extroversão dentro do romance acaba por delatar o conflito junguiano desses conceitos.
Assim o desconforto das revelações, o constrangimento inerente à própria história, tudo isso conjumina a revelação da alma de cada personagem e suas ações em torno de um determinado desejo ou procura.
A exposição não se limita apenas ao cárcere de informações antes escondidas, mas também a todo o espectro de espírito próprio e espíritos circunjacentes que entram na história e isso parece não encontrar relação alguma com o acaso, mas somente com o logos que se analisa nessa complexidade um tanto agorafóbica da existência.
Dessa maneira, a segregação que acontecia em vida das criaturas que tinham somente um nome e um lugar onde existir, agora se amplia de uma tal maneira que o páthos surge à luz clara das convenções existenciais e muitas vezes fora das convenções, fator que geraria a anormalidade de algum pequeno detalhe sutil que não seria anormal em outras circunstâncias.
É assim que nesses romances henriquianos o pecado assume o contraste relevante entre as personagens e o espaço onde vivem. Trata-se de uma interrogação constante que pulula nos meandros da narrativa e a ideia medra enquanto se desenvolve o impulso vital em cada criatura e seu entorno.
Com isso, esse eterno requisito do ser humano perpassa por materiais diversos e sentimentos esparsos. Outras vezes, a reunião de todos esses itens possibilita a recriação do romance de uma maneira tal que ele pode ser considerado original até na raiz de seu âmago.
Pode ser que isso represente um dos dados mais cruciais nessa obra gigantesca.
Porque, a se dizer a verdade, Humberto Henriques vem buscando revolver a própria criação, contudo, sem o risco que aconteceu com Guy de Maupassant – um dos autores prediletos desse romancista de agora -, que se desentranhou de si mesmo – se é esse o termo mais sensato que pode ser usado para dizer sobre o grande francês – e andou a repetir algumas sentenças já promulgadas em obras anteriores.
A genialidade está sujeita a esses riscos e aqui não se trata de levar avante o tema do romance francês. Esse Mané Chasquento é uma figura pública. Na verdade, pode ser encontrado por aí, a buscar a sôfrega relação de um homem
Baixe esta página em PDF para ler quando quiser, mesmo offline.
📄 Salvar PDFAvaliações dos leitores
Descubra as opiniões de outros leitores, explore avaliações detalhadas e veja se este livro realmente vale a pena para você, com base em experiências reais de quem já leu e compartilhou sua visão sobre a obra.
⭐ Reviews dos leitores













