Malditos

Por G. M. DHOSS

Sobre o livro

Felipe aparentemente é um homem comum como qualquer outro. Ele trabalha, namora, faz sexo, se diverte, se embriaga uma vez ou outra, costuma tomar algumas doses de whisky quando está mais estressado.

Sua vida parecia normal, até que se deparou com um ser misterioso do qual não conseguia se desvencilhar.

O perseguidor ou stalker, com o passar do tempo, se revelou cada vez mais poderoso, e Felipe não encontrava uma saída para se livrar do maldito estranho, já que controlava tudo: o tempo, as coisas, a vida. O stalker soava cada vez mais onipotente e onipresente. O senhor do tempo.

O que estaria por detrás do perseguidor que controlava Felipe por intermédio de um celular? Seriam espíritos malignos? Haveria alguma ferida de ressentimento aberta da qual ele não se lembrava? Do que Felipe não se lembrava afinal? Estaria o stalker em busca de vingança? E quem seria ele (ou seriam eles?)?

Assassinatos, esquizofrenia, remédios, bosque, ressentimentos, vingança, MALDITOS é um thriller sobrenatural tarja preta, de arrepiar, de tirar o sono.

“O elevador está vazio. Por uma fração de segundo, Felipe teme entrar nele desacompanhado. Tenso, vislumbra o aparelho esmagando seu corpo, enquanto solta guturais gargalhadas. Te peguei!! Perdeu otário! Alguma voz gutural soaria dentro daquele paralelepípedo de aço inoxidável.”

“— Se você jogar esta bola aqui novamente, arrebento seus dentes — ameaçou, a uma certa distância de Manu. O rapaz ameaçou falar alguma coisa, mas se deteve. — O que você disse para ele amor? — Para ter mais cuidado.”

“— Será que morte manda recado? — quis saber Felipe. — Talvez mande sinais. Sei lá. Mas vamos mudar de assunto, já estou assustada. — Você quem começou — ele voltou a manusear a arma. — Então vou terminar. Larga essa arma e vem aqui.”

“Ele observa quando seu pai ressurge da floresta. Ele caminha com dificuldades, segurando a parte posterior da coxa com uma das mãos. Lembra um jogador de futebol lesionado. Seu pai se aproxima com seu olhar profundo e vazio. A parte branca dos olhos exibindo veias rubras pulsantes. Com o rosto rente ao de Felipe, ele o encara e diz: — Então você não se recorda — lança um sorriso enigmático. — Do que vocês estão falando?”

“O odor dos corpos é insuportável; é como se acabassem de sair cada um de sua cova, após alguns dias sepultados sem caixão. Tudo é confuso na mente de Felipe. O que está acontecendo, afinal? É como se todos já estivessem mortos e emergiram do túmulo.”

“Felipe desperta do transe. Fixa seu olhar em Manu. Ela está horrorosa, parece um zumbi, um cadáver que acabou de se emergir da cova e vaga pela chácara. Ele não compreende o que está acontecendo, mas presume que estão todos mortos e retornaram das trevas em busca de vingança. De súbito, apanha a chave; pretende correr daquele lugar assombrado por lembranças bizarras do passado.”

“Outro disparo certeiro extirpa a mão esquerda. Felipe repete o gesto, confere o braço que não passa de um toco jorrando sangue. Dois tocos jorrando um líquido rubro. Mas por que não morre logo? Seria o stalker o senhor da vida? Será que ele controla quando vai morrer? Ele observa por cima dos ombros e, quando volta o rosto para frente, depara-se com os olhos profundos e vazios de sua mãe.”

“Ao redor, em cada ponto da floresta, há um algoz sedento de sangue, como Vietcongs, prontos para triturar o inimigo. Estão ali, taciturnos. Pouco dizem, enquanto encaram Felipe com seus olhos vazios e profundos, quase perfurantes, empunhando suas espingardas municiadas.”

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