Sobre o livro
Os judeus ibéricos que foram forçados à conversão ao catolicismo no século XV e seus descendentes ficaram conhecidos como cristãos-novos. Embora fossem tecnicamente cristãos, eles estavam sempre sujeitos a denúncias, por parte de seus vizinhos e parentes, de que praticavam o judaísmo às escondidas.
E foi assim que eles se tornaram vítimas do Tribunal do Santo Ofício (1233-1821), também conhecido como Inquisição, uma instituição para a qual os cristãos-novos continuavam a transmitir o judaísmo pelo sangue, e portanto jamais seriam considerados fiéis observantes da lei de Jesus.
A chegada de Pedro Álvares Cabral às terras do Brasil em abril de 1500 abriu para os cristãos-novos a oportunidade de recomeçarem a vida fora da Europa e se manterem a salvo de denúncias e consequentes perseguições religiosas. E assim muitos deles migraram para o Novo Mundo.
Mas o enriquecimento da colônia brasileira despertou as suspeitas do Santo Ofício de que muitos desses emigrados estivessem praticando o judaísmo às escondidas, enquanto publicamente mantinham a aparência de bons cristãos.
E foi assim que, em 1591, para obter provas da prática do judaísmo e de outras violações como a bruxaria e a bigamia, o Santo Ofício enviou à Bahia o Licenciado Heitor Furtado de Mendonça.
Heitor foi encarregado de tomar depoimentos dos colonos para obter tais provas que permitiriam ao tribunal prender os violadores, levá-los à prisão em Portugal, condená-los a penas religiosas, confiscar seus bens e, em casos extremos, ordenar que fossem queimados em praça pública nos infames autos de fé.
Ante o risco da chegada do Santo Ofício, muitos cristãos-novos que viviam na Bahia, então capital do Brasil, viram-se diante da decisão de lá ficar e sofrer perseguições ou sair e tentar uma vida em liberdade em Buenos Aires, em outras regiões da América Espanhola ou no sul da colônia portuguesa, em regiões como São Paulo e o Rio de Janeiro.
Este último destino foi o escolhido pelos personagens principais da história que conto aqui e que foram meus antepassados diretos.
O que se tem aqui, portanto, é uma história de ficção, mas baseada em alguns fatos comprovados por documentos históricos que são apresentados em trechos relevantes da narrativa. Decidi contar a história desses meus antepassados para que ela não seja esquecida e para que instituições perversas e discriminatórias como o Tribunal do Santo Ofício não tenham mais espaço na sociedade brasileira.
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