Sobre o livro
Cláudia Lourenço, jornalista, é enviada de Lisboa à ilha de São Miguel ao serviço do Quotidiano. Tem por missão entrevistar um conhecido ex-âoperacional da Frente de Libertação dos Açores e reaver a crónica do independentismo insular durante a Revolução.
Depara-se-lhe um homem-âmistério, voz e sombra do jogador, das suas verdades que mentem, das suas mentiras que dizem a verdade.
Ela, que pertence à «geração seguinte», não parece ter memória histórica do país de então: vive no de agora, e o passado é um território longínquo, cuja narração flui no interior de um imaginário algo obscuro.
A história da FLA (e a da FLAMA, na Madeira) comporta em si o «país de todos os regressos»: a Ditadura, o fim das guerras em África, a descolonização e o «retorno» à casa europeia pelos caminhos de volta, os mesmos que levaram as naus a perder-se nos mares da partida.
O país que a si mesmo se descoloniza vibra na exaltação revolucionária.
E é dos avanços e recuos dessa Revolução que nasce a tentação separatista do arquipélago.Na longa e secreta entrevista ao homem da FLA, a jornalista vê-se enredada numa história de logros políticos, compadrios, interesses de propriedade, conluios estrangeiros e outros equívocos do movimento separatista, onde não há lugar para as vítimas da FLA, nem para o desamparo dos «regressantes» de África.
Mas Cláudia Lourenço encontrará maneira de lhes dar voz.
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