Sobre o livro
A palavra que doutrina, a que alicia – a que fanatiza, não liberta.
A possibilidade de mais que arbitrariamente, mas poeticamente conferir significados novos e novos sentidos é uma característica própria da poesia – e é libertadora.
(…)
A metáfora faz da enguia poesia e a metonímia faz do poeta a enguia… a carga de significados que a “enguia”, na qual poeta e poesia se fundem, comporta, é explosiva. E explosiva explode: solta uma descarga de alta voltagem poética – e liberta.
(…)
Mas: Livre – nem toda palavra liberta.
(…)
Emprestar ao comunismo o eufemismo de Revolução Bolivariana, em nada modifica a tirania vigente na Venezuela: perseguição e prisão e até a morte de opositores, a destruição da economia – fome e o alastramento da miséria – e a cooptação do exército, do judiciário… o desrespeito aos direitos humanos, enfim, o fim da democracia.
(…)
Livre, a palavra do poeta liberta.
Liberta ao menos o poeta:
“…enguia / Por entre as coisas transito e escapo.
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