LINGUAGEM E EXCLUSÃO SOCIAL – FUNDAMENTADO NA SOCIOLINGUÍSTICA

Por Adilson Motta

Sobre o livro

Embasado em pesquisas de campo realizadas em julho de 2003 pelos alunos da turma de Letras de Bom Jardim da Universidade Federal do Maranhão (PROEB – Programa de Formação de Professores do Ensino Básico), nasce à intenção de trabalhar a presente temática como título monográfico e a partir de então, transformá-la na presente obra.

A motivação maior veio da constatação de que muitos municípios brasileiros apresentam altos índices de analfabetismo, dentre eles o município de Bom Jardim, objeto de estudo do presente trabalho, atingindo, segundo o último censo, um índice de 31,48%% de analfabetos, sendo que o Estado do Maranhão detêm um indicador social de 19,1% (Ipea, 2009) e 12,9% de analfabetismo funcional (IBGE-2009), enquanto o Nordeste apresenta 18,7% de analfabetos plenos e 31,48% de analfabetismo funcional (Ipea, 2009).

Verifica-se aí a discrepância no percentual de analfabetos em contraste com a média nacional que é 9,7% (Ipea, 2009) e 10,7% de analfabetos funcionais.

Pesquisas de campo realizadas (orientadas pela professora Terezinha Baldez da UFMA, de caráter fonéticofonológico) apontam que o analfabetismo e o baixo nível de escolaridade do indivíduo influencia em sua linguagem, distanciando-o da linguagem padrão, que rege as relações formais no âmbito das relações sociais, havendo consequentemente uma possível exclusão social do indivíduo, frente às exigências formais de um mercado de trabalho competitivo e concursivo.

Vindo tal fato a repercutir nas estruturas sociais, representando um desarme a cidadania e um obstáculo ao desenvolvimento sócio-político, econômico e cultural, contribuindo deste modo para a formação de uma “sociedade marginal”.

É através da linguagem que uma sociedade se interage e retrata o conhecimento, relações e entendimento de si mesma e do mundo que a rodeia. É na linguagem que se refletem a identificação e a diferenciação de estratos sociais, faixa etária, gêneros, graus de escolaridade etc.

Pelo exposto, observa-se que é de dentro da e pela linguagem que indivíduo e sociedade se determinam mutuamente.

Fundamentado na sociolinguística, este trabalho visa conscientizar sobre as consequências que a “linguagem”, influenciada pelo analfabetismo e o baixo nível de escolaridade, produz na vida pessoal e social do indivíduo e da comunidade.

Segundo pesquisas realizadas em um dos municípios brasileiros ( Bom Jardim-MA) no período de julho de 2003, na zona urbana e rural, ficou percebido que os indivíduos analfabetos e com baixo nível de escolaridade têm dificuldades para se inserirem no mercado formal de trabalho, são mal remunerados, dificilmente conseguem promoções, encontram dificuldade para se locomoverem pelas cidades, apresentam um vocabulário “limitado” que os isola de muitas relações e possibilidades e não têm vez em grande fatia dos benefícios sociais.

São protagonistas passivos na construção de sua história, antes, o poder que as rege manobra seus destinos. Nessa observação, como diz Gnerre, a língua constitui um título de poder, sem ter acesso a ela o povo é facilmente manobrado.

O primeiro capítulo retrata as concepções de linguagem, dos gregos e romanos à ciência moderna e autores contemporâneos.

Analisa-se também o binômio língua/sociedade, no qual procurase esclarecer a importância e o impacto que a linguagem, em suas variantes exerce sobre a sociedade como instrumento de relação e construção do próprio conhecimento.

No segundo capítulo verifica-se na relação língua/sociedade as implicações ideológicas que se processam via linguagem no interior da sociedade, assim como suas consequências no jogo das relações sócio-política.

No terceiro capítulo analisa-se o preconceito e exclusão que a língua não padrão ou estigmatizada provoca no contexto das relações sociais e seus efeitos no campo sócio-político, econômico e cultural. O quarto capítulo, frente a todo o exposto, é desenvolvido sob o enfoque Educação e desenvolvimento.

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