Sobre o livro
Epílogo
O sol amigo do sul do Brasil declinava sobre Prudentópolis, tingindo o horizonte com matizes de cobre e ouro. Na varanda da casa nova, o calor do dia cedia espaço para uma brisa mansa que subia do poço artesiano, trazendo consigo o cheiro de terra molhada e promessas cumpridas e compartilhadas.
Maya repousava as mãos sobre o ventre, sentindo o movimento sutil de Kate e Yara, era tipo se elas já ensaiassem os passos de uma dança futura. Ao seu lado, Théo ajustava a palheta do saxofone, deixando escapar uma nota grave e aveludada que flutuava até perder-se nos pinheiros.
Não havia mais a urgência das passarelas, nem a neve desmedida de Chicago; restava o compasso dos novos dias. — O renascer finalmente chegou, Théo — disse ela, num fio de voz; trazia a paz estampada no olhar para a imensidão verde que os abraçava, em calma absoluta. Ele não precisou responder.
O brilho nos olhos e o som do órgão que Maya logo dedilharia eram a confirmação de que o rascunho em papel vegetal havia se tornado uma palavra de vida eterna. Naquela geografia familiar, sob a confirmação das ditosas bonanças sem limites, eles não eram mais estrangeiros.
Estavam, enfim bem mais leves, em casa, onde a vida simples era de luxo, outra vez.
Sara Quandt Behringer
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