Sobre o livro
Bem-vindos à Humanosfera, a Idade de Ouro da humanidade espacial.
Tudo bem que a Terra tenha sido abandonada e esteja quase esquecida. Porque, para os eleitos que conseguiram emigrar para o espaço antes que a civilização global terrestre desmoronasse, o paraíso hipertecnológico de um futuro pós-escassez, com opções e oportunidades ilimitadas, tornou-se realidade.
Atalhos não espaciais proporcionam viagens instantâneas às estrelas. Cidadãos da Humanosfera gozam de longevidade extrema com saúde perfeita e, quando morrem, são reencarnados em corpos jovens e melhores do que os originais, com todas as suas memórias intactas. Como diz o velho ditado da Humanosfera:
— Morrendo e aprendendo.
Quer dizer que os humanos desse século II da Diáspora Estelar desfrutam de existências felizes em seus mundos perfeitos, certo?
A novidade que você já esperava: não é bem assim.
Porque ainda existem divergências entre as várias estirpes humanas e essas desavenças não raro se convertem em conflitos armados de proporções cósmicas.
A Humanosfera se divide entre Núcleo e Fronteira. Para além do Espaço Humano, há a Periferia Ignota. Só as hiperconsciências artificiais seniores sabem o que existe lá fora e elas não pretendem revelar o que descobriram aos seus parceiros orgânicos.
O Núcleo possui suas estirpes: Espaciais; Planetários; e Asteroidais.
Facções humanas que emigraram do Núcleo para a Fronteira criaram suas próprias culturas e, com o tempo, suas estirpes, inspiradas, mas diferentes das estirpes maternas.
A questão é que todas essas estirpes são compostas de pessoas especiais e não gente como a gente. As estirpes extraterrestres são compostas por humanos geneticamente aperfeiçoados. Humanidade 2.0, por assim dizer.
Abaixo deles, há os humanos que conseguiram escapar da Terra durante a falência da biosfera planetária a bordo das Naves da Esperança. Esses fugitivos, sim, são gente parecida conosco. Pessoas mantidas até hoje em estado de animação suspensa.
Uma minoria desses humanos de segunda classe – os degelados – foram reanimados e são empregados como mão de obra não qualificada, executando as tarefas que espacial, planetário ou asteroidal algum se disporia a fazer.
Esse panorama galáctico de progresso, desigualdade e conflito em âmbito cósmico piora bastante com o aparecimento do Inimigo, uma civilização alienígena hostil cujas belonaves desferem ataques de surpresa fulminantes contra os postos avançados da humanidade na Fronteira.
Num primeiro momento, a maioria das estirpes reúne recursos para estabelecer a Armada Humana, força estelar coligada, para dar combate ao Inimigo.
O entrechoque da crise dos conflitos fratricidas com a ameaça trazida pelo Inimigo faz com que umas poucas vozes sensatas de diversas estirpes comecem a pregar a necessidade de se convocar uma conferência de paz a fim de que as facções antagônicas da humanidade possam dirimir suas diferenças de forma pacífica e se engajar coesa para resolver a questão com o Inimigo de uma vez por todas.
Como se tais problemas não fossem bastantes, a facção estatólatra dos neorromanos desbrava um sistema remoto da Fronteira repleto de megaestações erigidas pelos Arcanos, hipercivilização alienígena desaparecida que habitou a Humanosfera até três milhões de anos atrás.
Se os neorromanos aprenderem como usar os artefatos da tecnologia arcana, o equilíbrio militar precário entre Núcleo e Fronteira se romperá em seu favor, com consequências imprevisíveis para a Humanosfera como um todo.
Legados: Labirintos de Knossos 1 é a narrativa dos esforços de um punhado de pessoas abnegadas para organizar a grande conferência da Humanosfera.
Primeiro romance da trilogia Labirintos de Knossos, Legados é ambientado no mesmo universo ficcional Humanosfera estabelecido no romance Quando Deus Morreu.
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