LACAN E PSICANÁLISE INFANTIL: O Processo de Constituição da Criança
Por Paulo Arthur BuchvitzSobre o livro
Apresentação Quando nasce um bebê, nasce também uma mãe e um pai, e ao criarem seus filhos, esses aos poucos se recriam.
A palavra “criança” tem a mesma raiz de “cria”, “criar”, “criação”, “criatividade” e o processo da formação paterna e materna resultam na conquista da função criativa da linguagem, da palavra, da conversa, da comunicação e da evocação. Evocar-se é falar de si para si mesmo, com a fala do pensamento.
Nesta forma de comunicação, a criança não usa linguagem verbal necessariamente, mas pensa o que quer dizer e através desse pensar dirige as suas ações, conecta-se com a realidade e resolve problemas cotidianos.
Porque criar crianças é supervisionar, é encaminhar e é apostar nas possibilidades delas, até que elas alcancem na mente, na emoção e no corpo as condições próprias de desejar, de pensar, de sentir e de agir.
Por isso, os casos inspirados em situações reais contidos neste livro são um instrumento de análise de crianças ao mesmo tempo em que funcionam como orientação para pais, que inspirados na resolução bem-sucedida das situações apresentadas, encontram apoio e auxílio.
Alguns adultos, ao analisarem as suas infâncias, percebem que o seu crescimento emocional foi prejudicado devido a ações erradas cometidas pelos próprios pais durante a criação, mas esses filhos – agora crescidos – conseguiram ressignificar as experiências negativas, dando um novo sentido e uma nova direção para a vida madura.
Entretanto, não há fórmula ou receita para a criação dos filhos, e a falta de referências ou padrões a serem seguidos e imitados faz com que cada pai ou mãe escolha o que melhor lhe convém, sem critérios ou criticidade quanto ao método utilizado, gerando muita polêmica entre o que é certo e o que é errado em relação à criação de filhos.
Os pais criativos necessitam lidar com as novas formas de valores que a sociedade e a cultura impõem na criação de crianças, em que a família tradicional é desprezada por muitos, não sendo mais, diretamente, um meio pelo qual ocorre o processo de formação do sujeito infantil.
Como conferencista, por onde passo, eu dialogo com crianças, pais, mães e profissionais.
Nestas conferências, a temática da criatividade na criação da criança tem gerado não apenas grande aceitação, como também uma demanda verbalizada de pais e profissionais por um livro onde pudessem recorrer para obter apoio e um conhecimento mais aprofundado.
Este livro procura nomear e decifrar palavras que elucidam a compreensão e o discernimento entre os pais e os filhos, apresentando encaminhamentos, intervenções e saídas claras para aqueles que exercem funções de pais e de mães, como guias, bússolas e líderes no mundo infantil.
Tentamos de forma clara, apontar caminhos que promovam a formação de filhos emancipados, que crescem a partir de si mesmos.
Mostramos aos pais que a simples ação de colocar a palavra em circulação, para que todos da família possam falar entre si, torna-os aptos e prontos para escutarem uns aos outros, evitando o mal-entendido e gerando o bem-entendido na comunicação familiar.
Minha experiência profissional em psicologia e educação ultrapassa trinta anos. Durante este tempo, escrevi vários livros teóricos, técnicos e romances para psicanalistas, psicólogos, professores e profissionais da teologia.
Neste livro, no entanto, acrescento à minha experiência profissional toda a minha vivência como pai, marido e psicólogo, crendo que podemos influenciar positivamente os pais que desejam ser mais equilibrados e qualificados.
Para isso, a criatividade na criação de nossas crianças é um investimento necessário, pois elas são o nosso amor, nossa inspiração e nossa esperança. Excelente leitura! Paulo Arthur Buchvitz, PhD!
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