La finitud es mi combustible:: do medo do fim à urgência de viver de verdade (Crônicontos nômades: Relatos de emocio.nanda pelo mundo Livro 1)

Por emocio.nanda Nanda Alcantara

Sobre o livro

La finitud es mi combustible: do medo do fim à urgência de viver de verdade.

“Não fui criada para ser livre. Fui criada para romper padrões.” — Nanda Alcântara, @emocio.nanda dentro e fora das redes.

No ano em que completa 40 anos, vivendo um processo de imersão espiritual que oscila entre rave e retiro ao som de tambores xamânicos, música clássica, samba de roda e Bonde das Maravilhas em uma sinfonia (im)perfeita na velocidade V do créu, emocio.nanda se joga sozinha no mundo.

Com a mochila cheia de lutos e lutas silenciosas, ela carrega a casa nas costas, se desfaz de tudo que é material e segue sem planos e sem rumo a algo maior que uma viagem. Ela estava migrando para um outro estilo de vida: o nomadismo.

Assim, vê realizar um sonho que carregou por quase dez anos e que, de onde ela saiu, parecia absolutamente impossível: se tornar seu próprio lar fazendo do mundo o seu quintal.

Sozinha, em seu ano mais escorpiano, ciente de que serão luas de descidas e subidas profundas, ela chega em Arequipa, cidade cercada de vulcões nos Andes peruanos, com um plano: fazer a trilha do terceiro cânion mais profundo do mundo e avistar um condor, o mensageiro sagrado dos povos andinos.

Certa de que estava aberta à experiência consciente de subir e descer, ela planejou fazer um cânion e a montanha fez dela o próprio cânion. Dois dias antes do aniversário, adoece. Infecção gastrointestinal, mal de altitude, planos indo por água abaixo junto com tudo que come ou bebe.

Seu corpo se torna seu cânion e sua mente precisa aprender a funcionar no ritmo da montanha. Desacelerar. Sozinha, em um país em que não conhecia absolutamente ninguém, ciente de que só poderia contar consigo, coisas absurdamente mágicas aconteceram.

O que era pra ser o pior aniversário da vida se torna um portal.

Ela fica. Vai fazendo parte da cidade sem querer. Aprende a respeitar o ritmo da montanha. Entende que dançamos de acordo com o solo que pisamos. Que corpo, mente e alma não são partes de nós, mas quem realmente somos, sem esquecer que nossos corpos também são políticos, poéticos e capitais.

Sua “Frida interior”, nome que ela dá à sua curiosidade em analogia à sua falecida cachorrinha, a quem dedica a obra, a arrasta para uma loja de antiguidades numa noite de lua em Arequipa. Lá ela não encontra nenhum objeto do passado. Encontra uma promessa de futuro.

E essa promessa a conduz até uma tarde dentro de um prédio de pedra vulcânica onde a música ecoa diferente. A arte de duas mulheres a atravessa de um jeito que a mente racional não alcança. E ela é levada, sem avisar, a um tempo que ainda não existe. O tempo depois dela. O mundo continuando, lindo, sem os seus passos.

Ela não pensou nisso. Isso a visitou.

E ela achou bonito.

“Eu chorei a minha morte primeiro. Chorei. Mas foi um choro bonito. Eu nunca tinha chorado bonito assim.”

La finitud es mi combustible é a história real de uma mulher que aprendeu, no fundo do próprio cânion interior, que a magia não some nas dificuldades. Ela só espera você parar de lutar contra o vento pra poder te atravessar. É uma ode à impermanência.

Para quem lê com o estômago. E está pronta para chorar bonito.

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