Jornalismo no Tablet: Os Primeiros Anos Analisados pela Teoria Ator–Rede
Por André Fabrício Cunha da HolandaSobre o livro
Para a indústria do jornalismo, o surgimento do tablet representou uma nova oportunidade de capitalização em tempos difíceis, propiciando ainda a possibilidade de renovação de práticas e linguagens para uma plataforma digital, móvel e conectada de publicação de notícias.
A missão deste livro é mapear as estratégias pioneiras de apropriação desse dispositivo pelas empresas jornalísticas, desde o seu nascimento até a metade final da sua primeira década de história, quando o entusiasmo inicial esmorece e a realidade econômica vem cobrar uma solução efetiva para a publicação de notícias no tablet.
Até o momento do surgimento do iPad da Apple, as tecnologias digitais haviam sido sempre mais pródigas em facilitar o acesso e o compartilhamento gratuito de conteúdos midiáticos do que em viabilizar economicamente os modelos de negócios tradicionais.
Por essa razão, o tablet ocasiona o surgimento de várias estratégias de comunicação e de comercialização, na tentativa de unir os festejados potenciais liberadores das tecnologias digitais às necessidades mais mundanas e pragmáticas de uma indústria que ainda luta para encontrar modelos de negócio adequados aos novos tempos.
Essa contradição entre os ideais mais libertários das tecnologias interativas e o pragmatismo econômico mais utilitarista, que financia a revolução tecnológica no coração do Vale do Silício, está representada na história e na genealogia desse dispositivo.
Desde as primeiras aspirações humanistas do projeto Dynabook, de Alan Kays, até o franco e agressivo consumismo promovido pela Apple, de Steve Jobs, o tablet é o resultado da interferência constante entre essas duas visões.
É no seio controverso dessa disputa que a mídia noticiosa vem, sem ampla consciência dessas contradições, ancorar suas esperanças de viabilizar um meio mais dócil que a Web como mediador do acesso e do comércio de notícias.
Para explorar a genealogia desse dispositivo e os casos pioneiros da sua apropriação pelas empresas midiáticas, adotou-se neste livro a Teoria Ator-Rede, proposta por Bruno Latour, como base conceitual e método de mapeamento das redes de atores humanos e não humanos articulados na composição dessas iniciativas de mediação.
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