Janela para o Mar

Por Alcides Buss

Sobre o livro

Janela para o mar, de Alcides Buss – Prêmio Fernando Pessoa – UBE/RJ

Alcides Buss publicou seu primeiro livro em 1970, na época difícil dos governos militares. A exemplo de tantos outros, sofreu com a censura e a repressão. Nada impediu, no entanto, que levasse adiante sua vocação para a poesia, por ele sempre entendida como um exercício de liberdade. Desse paradoxo nasceu o título de sua obra inaugural: Círculo quadrado.

No ano seguinte, 1971, já estava concorrendo ao Festival Catarinense de Poesia Universitária. Entre uma centena de participantes, levou a melhor e teve seu segundo livro premiado e publicado: O bolso ou a vida? Em relação ao Círculo quadrado, este era um livro mais maduro e de caráter experimental.

Lindolf Bell, conhecido nacionalmente pela sua Catequese Poética, escreveu: “O bolso ou a vida? coloca Alcides Buss, sem equívocos, entre os mais importantes poetas da nova geração brasileira”.

Sem medo de ousar, militou devotadamente no meio cultural, editando suplementos e revistas, entre elas a Cordão, publicação independente que fazia intercâmbio com poetas alternativos do Brasil e do Exterior. Um pouco antes, no final dos anos sessenta, havia criado os varais literários, uma forma de driblar a censura econômica. Os varais se espalharam pelo

País e até fora dele.

Após duas dezenas de títulos, entre eles dois infantis sempre reeditados (A poesia do ABC e Pomar de palavras), e inúmeros prêmios, Alcides Buss oferece aos leitores esse Janela para o mar (Caminho de Dentro Edições, 128p). Livro temático, explora o mar enquanto entidade fabulosa e inesgotável: o mar de dentro, o mar de fora, o mar enquanto música, o mar inúmero como o de Cacaso: “Mar de mineiro / é Minas”.

Criado em pequenas cidades do interior de Santa Catarina e do Paraná, Alcides somente foi conhecer o mar aos dezoito anos. Ficou tão impressionado, que exclamou: “O mar é tão grande que não cabe nas palavras!”

Vivendo há bastante tempo na Ilha de Santa Catarina e, portanto, cercado de mar por todos os lados, mergulhou em sua diária presença, nunca igual à da véspera. Daí tirou lições e entregou-se às imagens e expressões de sua verdade e grandeza.

O livro vem apresentado e recomendado pelo poeta e tradutor de Eliot, da Academia Brasileira de Letras, Ivan Junqueira: “Buss é, acima de tudo, um lírico, mas um lírico que não se esgota no lirismo estrito e autocomplacente do subjetivismo pessoal.

Há nele, além de uma adesão autêntica e orgânica ao tema que elegeu, uma viva preocupação por aquilo que entendemos como o mistério da existência, esse mistério de que o mar, com suas profundezas abissais, é mensageiro privilegiado.”

Ainda sobre o livro, assinalou o poeta Lêdo Ivo: “Constata-se em Janela para o mar uma obra madura, límpida e musical, em que a experimentada arte poética registra tantas e tão variadas paisagens marinhas, e guarda uma reflexão alongada sobre o sentido e a necessidade da vida.”

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