J. A. Gaiarsa, 100 anos: Coletânea de pensamentos

Por J. A. Gaiarsa

Sobre o livro

Um dos brasileiros mais brilhantes do século 20 ao início do século 21. Formado em Medicina pela Universidade de São Paulo, especializou-se em Psiquiatria e introduziu o pensamento de Wilhelm Reich no país. Esse foi José Angelo Gaiarsa, nascido em Santo André (SP) em 19 de agosto de 1920.

Nas décadas de 1960 e 1970, transitou pelo ambiente da contracultura paulistana e formou uma legião de terapeutas corporais. Apesar disso, nunca aceitou a idolatria: incentivava os participantes de seus grupos a alçar voos e encontrar o próprio caminho.

Um dos primeiros intelectuais a quebrar a barreira da linguagem, falou de temas caros a todos nós, como amor, sexo, comportamento, fidelidade, educação de filhos, machismo, feminismo e hipocrisia.

Entre 1983 e 1993, participou de um programa na TV aberta respondendo a dúvidas dos telespectadores e conquistou altos índices de audiência.

Em seus cerca de 30 livros, Gaiarsa compartilhou conhecimentos de biologia, antropologia, sociologia, comunicação não verbal, fisiologia, biomecânica, cinesiologia, psicanálise e terapia corporal. Adorava estudar os fenômenos de consciência.

Crítico contumaz da família nuclear tradicional e da posição subalterna da mulher na sociedade, usava de fina ironia e muitos exemplos de consultório para explanar seus pontos de vista.

Iconoclasta, sofreu duras críticas, mas nunca deixou de falar sobre aquilo em que acreditava: o amor como único antídoto para as mazelas humanas.

Aliás, Gaiarsa foi muito amado e teve inúmeros amores. Pai de quatro filhos. identificava-se com a figura do Cavaleiro Andante medieval e tinha grande apreço pela figura de Jesus Cristo. Assim se definia: “Sou primeiro um cosmopolita do Universo […].

Sou depois um membro desta raça equívoca – a humanidade desumana – a oscilar continuamente entre a santidade e a perversidade, a genialidade e a loucura, os mais astutos e implacáveis predadores de Gaia e de tudo que ela nos oferece, a Grande Mãe Generosa que exploramos sem piedade, sem cuidado e sem remorsos, dizendo mentirosamente o tempo todo que a respeitamos e amamos.

Amo essa humanidade e, apesar de tudo, ainda tenho esperança de um dia vê-la feliz – principalmente mais prazenteira, amorosa e solidária.”

Este livro é uma pequena coletânea de pensamentos desse gênio aberto e destemido que conquistou corações no Brasil e no mundo. Trata-se de uma singela homenagem ao centenário de seu nascimento e um marco certeiro para a memória da psicologia brasileira.

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