ÍNTIMA INSENSATEZ

Por Jorge Paulo (JP) Lopes

Sobre o livro

PREFÁCIO En mi verso soy libre: él es mi mar.

Mi mar ancho y desnudo de horizontes… En mis versos yo ando sobre el mar, camino sobre olas desdobladas de otras olas y de otras olas… Ando en mi verso: respiro, vivo, crezco en mi verso, y en él tienen mis pies camino y mi camino rumbo y mis manos qué sujetar y mi esperanza qué esperar y mi vida su sentido.

Yo soy libre en mi verso y él es libre como yo. Nos amamos. Nos tenemos. (…) LOYNAZ, Dulce María. (Versos, 1938)

Certa vez, durante uma aula sobre a poesia hispânica moderna, me questionaram: “professora, o que é poesia?”. De imediato, tal questionamento poderia soar como algo simples, trivial e até mesmo tolo de se responder.

Entretanto, seguramente para aqueles que apreciam e se aprofundam nos estudos artísticos, uma resposta seguindo apenas normas técnicas, frígidas e mecânicas, conforme nos apresentam alguns manuais de literatura, não basta. Defendo em minhas aulas que a poesia é a revelação da vida.

É a criação capaz de manifestar a essência mais profunda e verdadeira do homem a partir de uma explosão íntima e inquietante.

Se o nosso atual e efêmero “mundo líquido moderno” (Zygmunt Bauman) está regido pelo consumo/descarte excessivos, pela ignorância e superficialidades mundanas e, principalmente, pela falta de amor que nos sufoca, a poesia surge como forma de enfrentamento, de libertação e de superação.

O poema, enquanto gênero poético espontâneo, busca desvendar a realidade individual/coletiva, sem deixar escapar o aspecto estético, característica inerente às artes em geral.

Em Íntima Insensatez, Jorge Paulo Lopes, “escravo da emoção”, demonstra, através das vozes que emanam de seus poemas, sua libertação e sua superação.

Com um estilo bem próprio, inovador e livre, o poeta canta seu mundo transcendendo realidades e revelandonos a vida através de imagens poéticas criativas, inteligentes e íntimas, como por exemplo: a complexa e divina formação do ser mulher e da alma “Feminina Primeira”; o provisório estar do homem no plano terrestre e sua árdua escolha entre “Ser e Ter”; a dor profunda diante da desilusão amorosa expressado em um “Manifesto de desamor”; a criação/inspiração poéticas de “Um Poeta”; lembranças de vida (início) e de morte (fim) em “A MAGIA da tua CASA de SEMPRE que te SENTE e que te FALA…enfim, são diversas as imagens poéticas que o leitor encontrará ao descobrir e redescobrir cada poema.

Jorge Paulo Lopes revela-se por inteiro e convida o leitor a também revelarse diante do mundo da poesia que, repleto de “prazer e medo, calor e frio”, é “para min, sempre novo”. Debora R. L.

Zoletti* * Prof.ª Dr.ª Adjunto II de Cultura e Literaturas Hispânicas do Departamento de Letras da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

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