Sobre o livro
ÎAÇEMA Somos um projeto, ora de resistência ora de etnocídio. A raíz de nossas famílias é composta por pessoas desumanizadas, desnacionalizadas, destribalizadas, desaldeadas numa diáspora na própria terra. Histórias interrompidas. Para sobreviver dançou-se a dança do opressor.
Recupero um orgulho dos filhos de uma diáspora nacional. Aqui, reconto um mito nacional trazendo outra perspectiva, decolonial, colocando a mulher e os povos originários em seus devidos lugares de destaque. O Brasil é um território em conflito, sempre foi. Intriga, ganância, esperança, luta e fé.
Conto sobre Îaçema, uma mulher incrível. Filha da terra. Através de seus olhos, revivemos um passado histórico, uma invasão e seus absurdos. Aprendemos sobre sua vida e nos emocionamos com perseguições e violências de seu algoz Martim, um navegador branco, inescrupuloso. O que é mais canônico do que a verdade?
Îaçema é uma mulher corajosa, livre, instruída e que ama o bem coletivo. Da grande nação Pará Yba, da família Õte Kûara onde o comando é todo por outras mulheres fortes, desfruta das maravilhas da vida dadas por Îaci, a Lua, mãe de todas as mães e Kûara Çi, a Sol, mãe de todos os viventes. Traduzido em Tupi Antigo, esse romance distópico brasileiro recupera uma tradição matriarcal.
Apresento uma literatura inventiva, politizada e antirracista que embate a legitimação ideológica romantica sobre o processo colonial-guerra-morte de unificação do Brasil.
Rodney Alves de Oliveira ou Caboclo [email protected]
Rio de Janeiro – Brasil.
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