Humanização na saúde

Por Fernanda Reis

Sobre o livro

Este livro Humanização na Saúde é de fácil leitura e compreensão, e aborda a humanização, em todas as suas vertentes, nas instituições voltadas aos cuidados da saúde, como questão prioritária para o tratamento do doente.

Atualmente, muito se discute acerca da perda dos valores humanos, em uma realidade que brutaliza cada vez mais precocemente a forma com a qual lidamos uns com os outros.

A tecnologia disponível e aprimorada constantemente para otimizar a vida cotidiana também é considerada responsável pelo abismo existente nas relações entre os indivíduos.

Em virtude do acelerado processo técnico e científico no contexto da saúde, a dignidade da pessoa humana, com frequência, parece ser relegada a um segundo plano.

A doença, muitas vezes, passa a ser o objeto do saber reconhecido cientificamente, desarticulada do ser que a abriga e no qual ela se desenvolve. Também os profissionais da área da Saúde parecem gradativamente desumanizar-se, favorecendo a desumanização de sua prática.

Desse modo, a ética, por enfatizar os valores, os deveres e direitos, o modo como os sujeitos se conduzem nas relações, constitui-se numa dimensão fundamental, na qual se admite que o processo de humanização é primordial para a conduta profissional,

O que se vê constantemente nos hospitais e consultórios é a busca pela técnica aprimorada, a excelência de exames e equipamentos laboratoriais, onde a evolução da Medicina é inquestionável.

Na área da Saúde, a especificidade do conhecimento originou as especialidades médicas, com profissionais peritos em órgãos e sistemas biológicos, mas cada vez mais distantes e frios no que se refere ao atendimento e à compreensão das carências afetivas das pessoas.

Torna-se fundamental uma mudança profunda nas relações entre profissionais da saúde e pacientes, buscando um equilíbrio entre a evolução tecnológica e a valorização humana. A técnica perfeita não deve excluir a atenção às necessidades do paciente e de seus familiares. Faz bem ao médico ser humano, acolhedor. Isto fideliza o paciente, traz cliente e dá credibilidade

Ao abordar a importância do relacionamento médico-paciente, faz-se, na verdade, uma inserção na questão maior do próprio relacionamento humano. Lamentavelmente, esse relacionamento vem sofrendo desgaste na mesma proporção em que se observa o avanço das descobertas científicas.

Tanto mais progride o homem em sua capacidade ilimitada de racionalizar e criar, tanto mais se tem mostrado impotente para estabelecer firmes relações de reciprocidade.

Assim, o progresso que vem sistematicamente acontecendo em todas as áreas da ciência, mercê da criatividade humana, vem colaborando para um distanciamento entre os homens, quando o ideal — considerando que o objetivo primordial da ciência é colocar-se a serviço da humanidade — seria um desenvolvimento científico caminhando ao mesmo tempo com o aprimoramento das relações do homem consigo mesmo, dele com a natureza e dele com seus semelhantes.

O presente livro busca problematizar, portanto, a relação do profissional da Saúde, que vem de uma formação respaldada no conhecimento técnico e biológico do ser humano em detrimento do aspecto subjetivo do indivíduo para o qual se presta o atendimento clínico, e o que pode ser feito para atenuar esse distanciamento.

Assim, tem como objetivo refletir sobre considerações éticas que necessitam fundamentar as ações de humanização, destacando a importância da dimensão humana nas relações profissionais, a qual necessita estar na base de todo processo de intervenção no campo interdisciplinar da Saúde

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