História Monetária Brasileira

Por Adeilson Nogueira

Sobre o livro

Como dizia Souza Lobo: “Nada criamos, nada inventamos, e pouco ou nada inovamos; pesquisar, coligir e compilar—foi nossa missão”. D. João IV e D. Affonso VI ligam-se intimamente à numismática Brasileira por sucessivas evoluções monetárias decorridas em seus reinados; quanto a D.

Pedro II, basta dizer que foi o fundador das primeiras casas monetárias no ESTADO DO BRASIL, a cujo povo, por sua alta magnanimidade, concedeu o exercido da soberania nacional.

A numismática (do grego númisma) é a ciência que estuda e descreve as moedas, medalhas e similares, sob o ponto de vista histórico, artístico e econômico. As moedas documentam os diversos aspectos da sua concepção, utilização e mensagens históricas.

Sua cunhagem corresponde, desde a antiguidade, a um ato político, imediatamente relacionado com autoridade e direito de soberania.

Já no século VII, em sua obra Etimologias, Santo Isidoro destacava elementos essenciais inerentes à moeda: a matéria (metal), a Lei (segundo as regras do direito determinado pelo poder público e em concordância com as magistraturas instituídas), e a forma (aspecto, tipo e epígrafes desse mesmo poder).

Com efeito, desde que os governantes chamaram a si o lavramento da moeda, compete à autoridade pública garantir o respectivo valor pela incisão de uma matriz no metal, e fixar a quantidade de numerário a ser posta em circulação.

A garantia teria por primeiro objetivo gerar a confiança, estatuto indispensável à sua aceitação pela coletividade e para que se cumprisse o seu papel econômico e social.

A sucessão de gerações históricas nos legou marcas indeléveis do seu quotidiano, um patrimônio inestimável que oferece um quadro informativo abrangente das ações, reações, sensibilidades e capacidades, reflexos dos poderes instituídos, espelhos das artes imaginadas e economias praticadas e, como tal, inequívocos definidores de culturas.

Entre a multiplicidade de testemunhos identificados contam-se as moedas, quer consideradas individualmente, quer como agentes coletivos com funções bem definidas na vivência e convivência, internas e externas, da sociedade.

A possibilitar um acervo informativo específico, amplo e tão relevante, complementando outras documentações disponíveis, surge a Numismática, seja como colecionismo culto, seja sob seu aspecto histórico-científico, ambos interligados pelo mesmo sujeito.

A numismática nos ajuda a compreender o mundo em que vivemos, relatando com o auxílio da geografia, mitologia, arqueologia, paleografia e heráldica, a história de uma civilização, de lima nação ou de uma era.

São documentos históricos, e/ou artísticos, as variações, das ligas metálicas, a difusão territorial, a introdução de novos valores monetários e as inscrições gravadas por soberanos. Todos estes elementos reunidos nos possibilitam compreender melhor a história de uma época.

Sob o ponto de vista histórico, a moeda é um reflexo material da política e da ideologia da autoridade que a emite. Através das imagens que contém são, muitas vezes, a única recordação de um evento.

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