História das Psicoterapias e da Psicanálise

Por Nelson Valente

Sobre o livro

  1. Admitimos que na atualidade existe ainda uma enorme confusão na terminologia própria e específica dentro do campo das doenças mentais e sua terapia.

Devemos, portanto, fixar de antemão o significado exato de algumas das palavras mais usadas nos tratados específicos, e de como nós as entendemos.Etimologicamente, as palavras psiquiatria e psicote- rapia, derivadas dos termos gregos psiche = alma e iatreia e terapia que significam cura ou tratamento, vem ter o mesmo e idêntico significado.

O tratamento ou cura das doenças da alma, em contraposição do tratamento e cura das doenças do corpo, de que trata a medicina geral e somática. Para os que não acreditam na existência da alma e preferem falar apenas em psiquismo, significariam o tratamento ou cura das doenças da mente ou psíquicas.

Historicamente falando, existe, na ordem prática, uma diferença essencial entre ambas, pelo menos no que respeita aos meios usados no tratamento dessas doenças, ou também no que respeita aos subtipos ou classes das doenças de que cada uma deve limitar-se a tratar.

Nós entendemos (e achamos que assim deveria ser en- tendido) por Psicoterapia: “A ciência ou arte de tratar e resolvermos problemas ou distúrbios psíquicos (mentais, emocionais e psicossomáticos), por meios ou procedimentos exclusivamente psíquicos”.

E por Psiquiatria entendemos: “A ciência ou arte de curar as doenças mentais, quando orgânicas, por meios ou procedimentos exclusivamente físicos”.

A psicoterapia e a psicopatologia devem ter como campo próprio e específico as doenças ou distúrbios “cujas causas patológicas sejam exclusivamente psíquicas ou emocionais”, que são doenças de tipo funcional sem nenhuma perturbação orgânica.

Por sua vez, a Psiquiatria deveria ter por campo específico o das doenças e distúrbios mentais (ou cerebrais) “cujas causas patológicas sejam mais de origem orgânica envolvendo, como resultado, certa disfunção mental ou comportamental”.

Academicamente, a Psiquiatria científica dos últimos séculos precedeu à Psicoterapia moderna dos últimos decênios, nasceu dentro da Medicina acadêmica e oficial, foi considerada até agora como o único tipo válido de terapia mental e tem sido praticada pelo médico especialista em doenças mentais (cerebrais, eles dizem) como um ramo especializado da medicina organocista.

Inversamente, a Psicoterapia moderna, que também pretende considerar-se científica é de origem totalmente recente, nasceu e se conservou até agora à margem e fora do âmbito acadêmico-universitário, obstaculizada, ridicularizada e negada a sua validez, tanto pela Medicina como pela Psicologia oficiais, que a consideravam ainda como um remanescente das antigas práticas mágico-místico-religiosas.

As mesmas, Medicina e Psicologia oficiais, que ainda lhe têm fechadas as portas universitárias e das quais, uns poucos expoentes a querem monopolizar exclusivamente.

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