Hermenêutica e ficção: Paul Ricœur e António Lobo Antunes
Por Tatiana PrevedelloSobre o livro
Os romances de António Lobo Antunes são colocados em um plano plural e ambivalente, pois veiculam um discurso que revela a degradação e as ruínas morais das personagens, a flagelação do indivíduo, em suas íntimas peculiaridades, frente às angústias da existência.
No âmbito interpretativo, o estudo aqui apresentado considera as formulações hermenêuticas de Paul Ricoeur, explanadas, sobretudo, em Tempo e narrativa, O si-mesmo como um outro e A história, a memória, o esquecimento.
O filósofo considera que a imaginação exerce um papel decisivo na elaboração da identidade narrativa que, como demonstra a escrita loboantuniana, não se apresenta em um quadro estável.
Sob a tríade dos elementos tempo, identidade e memória, interpretados como instáveis, múltiplos e contraditórios, é investigado como as personagens ficcionais apresentam, nas projeções de suas lembranças e esquecimentos, a expressão de sofrimentos e traumas.
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