Sobre o livro
Um estorninho preto. Foi o que ele viu quando a encontrou. Um estorninho fraco, encurralado, escorado em uma copa de árvore cinzenta no meio da noite, iluminado pela luz da lanterna potente de caça.
Pálida, de cabelos pretos, sujos e longos, escondendo um rosto de olhos tão pretos quanto a noite ao redor, cujas pupilas brilhavam vermelhas, incandescentes. Um estorninho bruxesco. Aquilo assustou a dúzia de homens que caçavam na floresta calada. O olhar. Como um demônio.
O tipo de olhar com o qual se estremece de medo ao imaginar ser pego por ele num cômodo escuro, sozinho. O tipo de olhar que mantém a vigília noturna na cama de repente desconfortável. O tipo de olhar que vem junto de uma silhueta sombria tão próxima que um único bote basta.
A menina estava maltrapilha, vestia roupas de muitos anos antes, de quando era menor ainda, rasgavam-se e puíam, imundas, já sem cor definida; eram uma mistura de coisa qualquer com coisa alguma.
Ela estava quieta, tão quieta que era difícil acreditar que vivia, mesmo estando ali à frente de todos, de cócoras, assustada e algo mais, algo que cintilava nas pupilas de bruxa.
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