FLOR DESTRUÍDA: PEÇA TEATRAL

Por CLÁUDIO AGUIAR

Sobre o livro

Descrição de FLOR DESTRUÍDA, de Cláudio Aguiar

No drama FLOR DESTRUÍDA, Cláudio Aguiar nos apresenta como tema fundamental a questão da sorte. Vive a experiência a família de Izidoro, integrada por mulher e filho, além de amigos e vizinhos, todos pobres e carentes de bens materiais.

Um dia a sorte, força invencível, a qual estão todos os mortais submetidos, impõe acontecimento extraordinário e singular. De repente, tudo muda em relação àquelas pessoas. Esse evento especial deve-se ao destino ou aos desígnios misteriosos capazes de mudar o rumo de vida de qualquer mortal.

Esse acaso ou feliz coincidência quando se abateu sobre os familiares de Izidoro, tudo pareceu ficar diferente, menos para o menino César, que, vivendo sua permanente loucura ou demência, na verdade, naquele cenário de privações, parecia ser o mais lucido e feliz de todos.

Seja porque não deixava de viver envolvido intensamente com seus brinquedos preferidos – toros de madeira, raspa de tábuas, pregos, martelos, etc., ou, ainda, interromper com frequência as atividades rotineiras do pai carpinteiro; seja porque se transformou no móvel que levava todas as pessoas a rir de suas “maluquices”, como se fosse natural reconhece-lo nessa condição.

A inusitada e inesperada atitude de César, aos olhos de todos que o tomavam apenas como garoto maluquinho, terminou provocando nos familiares e vizinhos aquela certeza de que, às vezes, a loucura não é outra coisa que a razão apresentada sob diferentes formas, como escreveu Goethe. Ou, então, a outra verdade que parece atingir a todos nós: cada um de nós de louco tem um pouco.

Cláudio Aguiar no drama FLOR DESTRUÍDA, ao nos envolver com as peripécias vividas pelos familiares e vizinhos de Izidoro, exímio carpinteiro no fabrico de caixões de defuntos, conseguiu extrair do sentido anedótico da narrativa, a afirmação de que o mais importante na vida não é atesourar bens materiais, mesmo que eles nos cheguem pela porta misteriosa do acaso, do azar ou da sorte, mas, vivendo intensamente a vida nos limites e nas condições que lhe foi dado usufruir com dignidade e amando os que lhe são mais caros.

Mesmo assim, diante do inesperado desenlace, quando César, inocente e amorosamente oferece às pessoas que o cercam uma flor impávida em seu formato natural, nunca pensou que ela chegasse a ser destruída pela insensatez dos que não queriam aceitar o fado que lhe foi imposto pelo destino. Eles escutam o garoto pronunciar a frase inocente, mas o revidam com uma carga de ódio tão grande que destruirá, a flor para sempre:

“CÉSAR (Ainda com a flor na mão).

Mas, não tem nada não. Eu tenho uma flor pra vocês. (Estende a flor para o grupo que se mantém estupefato diante de César)”.

A demência o salvou.

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