Filopoesia

Por Rodrigo Prado Santiago

Sobre o livro

Enfrentei muitas provações durante três dos anos mais penosos, difíceis da minha vida; sono, saúde e sossego perdidos, pensei que Deus havia me renegado, abandonado os cuidados ao meu coração repleto de sentimentos de ódio e de medo das pessoas.

Eu ainda não era capaz de perceber a conspiração que o Universo fazia para proteger-me das poderosas forças do mal que me acuavam quando ganhei uma gatinha de estimação de presente.

Por alguma misteriosa intuição do além – cuja origem e significado só mais tarde pude compreender – chamei-lhe de Pipi.Jamais imaginaria que ali estivesse o ser que mais amei neste mundo.

Se fosse tão somente por isto eu resignar-me-ia; mas não: ela também amou-me tão intensamente quanto a amei !

A dor de sua perda não seria insuportável se o meu amor não fora correspondido na mesma frequência e sintonia, harmonia dos ronronares, melancolia de nossas solidões, desapego de nossas meditações!

Este amor sobrenatural subtraiu muita energia do Universo à nossa volta… muita energia… exageramos na falta do limite até onde podíamos ter ido para nos amar…enfraquecemos o brilho das estrelas… arrefecemos o calor do sol…deixamos mais tristes os cantos dos pássaros…

fizemos os crisântemos envergonharem-se ao florir… a maldade das pessoas exauriu-se… minha casa ficou protegida, energizada, pirâmide… meus medos e ódios dissolveram-se no espaço entre o meu olhar e o seu miar.

Consumimos muita energia do Cosmos para construir algo do tamanho do Universo, mas sem nenhuma de suas nódoas – como se destilássemos todas as uvas da galáxia em todos os melhores vinhos que nós mesmos jamais seríamos capazes de sorver sozinhos.

Entretanto, tanto amor cobrou seu preço, o Universo não pode se manter em estado tão elevado de pureza durante muito tempo, afinal não é somente esta a matéria que o constitui.

Ele(s) – Deus, o Universo – mandaram-me inúmeros sinais de que chegaria ao fim, na Terra, o nosso amor.Sinais nos Céus, de meus ancestrais, da energia kármica de seres imortais …

todos me alertaram de que eu iria sofrer tanto quanto amara, de que a partir da morte da Pipi a minha vida jamais seria a mesma …

ensinaram-me aos cântaros que o infinitudo Cosmos agora estava carente da mesma super-nova de energia que permitira existir entre mim e a Pipi durante aquele átimo em que eu – doente e descrente do mundo – dela careci para viver …

da Pipi que agora vela pela humanidade no ininteligível Universo que tento fractalizar em versos – como que para tê-la mais por perto …

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