Sobre o livro
“É o poeta, o novelista, o ficcionista, o pintor, que nos interpela, oferecendo-nos, de si, toda a ludicidade estética da obra artística, mas exigindo, de nós, o compromisso que vem revestir de dimensão ética a própria proposta do artífice. Tudo isso como aqui em Fármaco e Outras Ficções.
Concebido, no seu conjunto, em tempo de pandemia, o autor usa esta como «absurdo» e convida o leitor a olhar, através dele e numa atitude crítica, a realidade que o cerca, e a pensar, a pensar… Sem incómodos diante de quem o aponte por fugir ao tempo e ao modo, Ferreira da Cunha, como sempre fez, desafia o tema esquecido da «intelectualidade» e remoça-se nele, não como um regressado, mas em nome de um desafio, outro, de dimensões verdadeiramente inovadoras.
Não o acusem, pois, de desprezar «todo o interesse terreno, individual ou colectivo» ou de se revelar «um homem de letras, um artista, um cientista que não terá como objectivo imediato um resultado prático».
Pelo contrário, nesse ponto de vista, Ferreira da Cunha, se alguém quisesse condená-lo, seria mesmo mais como um novo agente activo contra a velha «traição dos intelectuais».
Neste Fármaco e nestas Outras Ficções, o autor convoca quatro textos diferentes para, com eles, construir uma obra só, ela também, um diálogo permanente comandado pelo tópico central do valor do pensamento e da exigência de o erguer a partir do poder do estudo e do conhecimento e, porque não dizê-lo, da cultura”.
Do Prefácio do Conselheiro Doutor Álvaro Laborinho Lúcio
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