Falsos Registros

Por José Eduardo Brum

Sobre o livro

Num Centro de Registro de Ocorrência Posterior, dois policiais. Um, soldado, jovem, branco, classe média. O outro, sargento, negro, mais velho, oriundo de uma classe mais baixa.

O que se pode fazer, enquanto se escutam lamentações, problemas e incidentes, senão também dar vazão ao interno por meio da cumplicidade de uma conversa?

Falam da realidade, das gerações, do mundo, das mudanças, da religião, das novelas, dos sentimentos, da sexualidade, das injustiças, do serviço, das visões, do substrato humano. E quando incomoda a vida, bradam, apontam, analisam, sentem.

A narrativa segue em tom de seriado, entrecortada com interrupções de pessoas em busca não apenas de registro, mas de atenção e cuidado, e de militares que mais os inundam de descobrimentos. Ela se descortina num único dia de trabalho.

Aponta contradições, solidão, pontos de vistas, sonhos, frustrações, preconceitos. Tudo isso por meio apenas de diálogos, sem qualquer interferência de descrições e contextualizações. Os dois personagens são, eles mesmos, os próprios relatores e digitadores de verdadeiros e “Falsos Registros”.

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