Fadas Multicoloridas: Fada Carmim (Coleção das Fadas Multicoloridas de Andrew Lang)

Por Andrew Lang

Sobre o livro

Um forte senso de honestidade me obriga a continuar repetindo que não sou a autora da natureza. Estou nos lábios de quem fala, de minha mente resgato proezas, embora muita gente ainda não entenda do que fala nem escute o que diz. Estou no laço da emboscada e na criança que escapa por um triz.

Brinco com lamparinas, sou um bocado dançarina, porque me atrevo a fazer o que ninguém quis. Selvagem, conheço os climas da Nova Caledônia e da Zululândia, da neve congelada das regiões polares, mas também da Grécia, da Espanha, da Itália e da remota Lochaber.

Quando os contos perfeitos eu encontro, dou um grito de vitória e solto fumaça, mas ainda preciso os castigos infligidos às perversas madrastas repreender, sob o risco de o tal conto por deveras malvado nesta coleção não caber. De inspiração servi a Shakespeare, Dumas, Charles Dickens e Levy.

Homero compôs a Odisseia, enquanto ao recitar Jasão e o Velocino de Ouro invisível permaneci. Quem levou a fama foi Apolônio de Rhodes, hoje lembrado apenas entre os pobres, como punição pelo que a Feiticeira Medeia lhe fez antes de partir.

Fui eu, assim como para diversos povos errantes, samoiedos e samoanos, hindus e árabes nômades o fiz. E escreveram nos primeiros anos do século XIX os irmãos Grimm. Muitos contos deste livro são traduzidos, ou ligeiramente melhorados, daqueles contados por húngaras mães e enfermeiras.

Outros nos berçários russos foram talhados, mas são os sérvios que escrevem de primeira, apesar de as histórias fantasiosas dos romenos não dizerem asneira, e não ficarem para trás as margens do Báltico, da ensolarada Sicília, da Finlândia, Japão, Portugal, Islândia e Tunísia.

Sem dúvida muitos apreciarão olhar estes lugares no mapa e nos livros de geografia estudar suas montanhas, rios, solo, produtos e políticas fiscais.

Os povos que contam as histórias diferem em língua, religião e quase tudo o mais, mas todos eles sabem que carmim é a cor que se pinta com giz, nos jardins ou nos jornais. Sou a predileta, como a vermelha rosa que desabrocha nos quintais; não, de mim não se esquece jamais.

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