excelência, o bacupari

Por José Humberto da Silva Henriques

Sobre o livro

E

stamos frente a frente com poesias espetaculares. A síntese neles é a excelência da congregação do serviço poético. O Bacupari é fruta quase desconhecida por aí.

Por tal razão, seria lógico dizer alguma coisa sobre esse fruto antes de dizer sobre a imensidão de livro de poesias do mesmo nome, Sua Excelência, o Bacupari. Pois que, na região do Alto Paranaíba e outros consortes, seja Goiás e noroestes, o arbusto vinga com vigor.

Um fruto amarelado, mais parecido com panaceia do que mesmo com as virtudes da maçã que alimenta. Semelhando a um testículo de bicho grande, o bacupari tem casca grossa, semente abundante, aliás muito grande para o tamanho do fruto, chegando a ocupar todo o espaço imposto pelo carpo.

Entre a casca e o caroço, uma doçura miúda e quase inexpressiva, mas que vale a pena ser provada por conta da sua singular raridade. Um sabor exótico e que não pode ser encontrado em mais lugar algum que o cerrado é capaz de demonstrar.

Fruto do cerrado, apreciador de barrancos onde um dia aconteceu de ser lavrada uma estrada velha. Ou nos lugares de erosão. Ali, a raiz acha jeito de bem respirar e o arbusto faz suas ramas com qualidade e rumor de glórias. Esse é o bacupari. Simples, singelo, porém, bombástico.

Ser assim, bombástico, somente porque nele reside a memória de um mundo amplo.

Como conta o poeta sobre o livro e sobre o Bacupari. Sua excelência, o Bacupari. Quando eram os meses de novembro e janeiro, na região ensolarada do Brejo Bonito, iam as turmas todas em busca da gabiroba.

Fruto miúdo, de cerrado, um cuja delícia é incomparável, sendo mesmo a rainha de todo esse mundo do Alto Paranaíba. Todo mundo queria a gabiroba. Porém, alguns efeitos colaterais sempre existiam e não deixavam de ocorrer.

O encontro de outros frutos menos deliciosos, porém, igualmente memorialistas, esses eram alguns dos efeitos adversos encontrados na captura da gabiroba.

No meio deles, a encher a cesta ampla, o araçá de várias qualidades, a bosta-de-cachorro, a mamacadela, o araticum e o crepuscular e espetacular bacupari. Muito sujeito a ser parasitado, igual a goiaba bichada, o bacupari tem que ser chupado enquanto está verdolengo.

Comisso, evita-se a larvazinha branca que acomete o fruto desprevenido. Mas isso tudo é curiosidade sobre uma planta que um dia vai desaparecer se acaso ninguém se interessar em guardar a sua genética espetacular para os tempos que um dia podem vir.

Voltando à citação da análise sumária dessa poesia de j Humberto Henriques, cumpre dizer que esses poemas demonstram a aptidão do escritor em trazer de volta a lembrança da terra tal e qual ela foi planejada pelos dedos do Criador.

Dificilmente haveria outro livro de poesias com um título assim estigmatizado. Trata-se de certa coragem sobranceira do autor.

Ocorre que a dimensão alcançada por esse poeta é tamanha, que nada mais pode ser olvidado, nem mesmo a grandeza exponencial de toda essa obra que parece não ter fim ou limites. Pois que, o fato real, estamos diante de um doa maiores produtores de Arte do planeta.

Aqui se colhe o bacupari com a graça da palavra não esquecida.

Entretanto, o tema não se resume a isso que aqui se comentou. A história toda é muito mais abrangente, muito mais continental; e congratula as leis da pseudo-inocência arbórea de Manoel de Barros com o ensaio filosófico proposto pelos grandes pensadores alemães.

O poeta não faz concessões a quaisquer produtos de facilitação, por isso, deve ser lido com o cuidado que se lega aos grandes criadores. Esses poemas têm alguma coisa de preclaro e sensacional. Justificam a raridade do fruto e da palavra a ele congregada.

A rima é utilizada sem prejuízo do arcabouço completo do texto poético moderno. Essa exigência da música surpreende na obra de Henriques. Isso faz com que a musicalidade do texto redunde de uma maneira exemplar. A rima solicitada de maneira espontânea e sem forçar a barra do texto.

Pode ser que esses poemas sejam sugestão para viola, flauta e piano. Então, just

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