Sobre o livro
“Tudo começa com as vielas. Os silêncios que elas formam no labirinto dos centros antigos, as flores colorindo os terraços, as arandelas pontuando as grossas paredes seculares de pedra, as mesas de alguns bares afunilando caminhos.
De repente, o hálito gelado de uma igreja prometendo abrigo do sol espanhol de verão.” Assim começa Europeando e outras viagens, livro de crônicas de Thiago Momm, que é mestre em Estudos Literários pela Universidade Complutense de Madri e foi repórter do caderno Turismo da Folha de S.Paulo e colaborador do caderno Viagem do Estadão.
A trabalho ou não, ele percorreu 35 países e os territórios ultramarinos de Curaçao e Bonaire, esse último tema da crônica Eu de snorkel. “Eu pulava das pedras e o ruído do fluxo da rodovia dava vez ao som efervescente da submersão. Nenhuma onda rumorejando na superfície.
Tudo que eu escutava era o ar aspirado e soprado pelo cano do snorkel. (…) A visibilidade chegava a quase 30 metros. Na praia de Wayaka II, me vi explorando uma imensa casa líquida com paredes de corais.
As nuvens sombreavam o piso de areia, mas em seguida, sopradas pelo vento eterno do Caribe, se afastavam, acendendo longos emaranhados de fios solares ondulantes ao fundo”, escreve na crônica. O livro reúne 20 textos, metade de viagem.
Há relatos sobre o cotidiano dos albergues, incluindo brasileiras amaldiçoando um deles, em Madri, “até a última fétida bota mochileira”; sobre livros excêntricos descobertos pelo mundo, como A desgraça de ser grego; sobre como viajamos e falamos das nossas viagens ao longo dos últimos séculos.
Os outros temas incluem, por exemplo, o “Sertanejistão” que se tornou o Brasil recente; a discussão furiosa de um casal ao trocar a rotina por uma ida a uma casa noturna; a vida “circunscrita a espaços físicos, sociais e psicológicos cada vez menores” de adictos; um pai e filho desajeitados que fingem trocar socos na barriga para demonstrar saudades.
Ao final do livro, o autor reúne apontamentos como um minidicionário amoroso em que define, maliciosamente, briga como “sinceridade fora do controle”, paixão como “condescendência em contagem regressiva” e trisal como “uma mesa bamba de três pernas”. O design é de Diogo Rinaldi.
Inquieto, graduado em Design Industrial e mestre em Educação em Arte pelo Piet Zwart Institute, em Roterdã, Diogo tem explorado projetos sociais, artísticos e educacionais em diferentes partes do mundo, como Estados Unidos, Europa e Brasil.
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