Estado de exceção e sistema jagunço: literatura e direito em Grande Sertão: Veredas

Por Aline Crispino Pessôa Saraiva

Sobre o livro

A pluralidade temática e a multiplicidade de sentidos inerentes aos elementos da narrativa, presentes em Grande Sertão: Veredas, viabilizam propostas de leitura do romance rosiano sob variados enfoques.

Este livro, mediante uma perspectiva interdisciplinar, tem por escopo analisar o sistema jagunço, aspecto central da trama, como possível representação alegórica de um estado de exceção, a exemplo do vivenciado na Alemanha nazista.

Tal apreensão baseia-se nas concepções sobre alegoria desenvolvidas por Walter Benjamin em seu livro Origem do drama trágico alemão, realçando-se os pontos de convergência existentes entre as preleções do teórico alemão e a composição literária de Guimarães Rosa.

A partir de tais interseções, identificam-se aspectos significantes pertinentes à trajetória do protagonista Riobaldo, em meio à jagunçagem, que refletem a experiência concernente à suspensão de um ordenamento normativo, própria do referido instituto jurídico.

Destaca-se, nessa perspectiva, o potencial colaborativo das correspondências entre literatura e direito, as quais proporcionam formas dialógicas diferenciadas de percepção, questionamento, compreensão e reflexão acerca das relações humanas.

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