Sobre o livro
“Já ninguém fábula”, “ninguém” conversa mais nas calçadas, nem conta fábulas (..)História de botijas, panelas transbordantes de ouro que se desenterrados desobedecendo o ditado pelo revelador sonho de três noites seguidas acabavam em panelas cujo ouro se convertia em carvão – e tisna, e a fábula dos quarenta ladrões perdeu a magia para ratos e gatunos afortunados, e agora delata e figura nossa elite política e empresarial nos tribunais e presídios.
As calçadas não são mais das cadeiras, dos vizinhos, das crianças. São de desconhecidos transeuntes. As pessoas se trancafiam em casa e se refugiam no mundo virtual, mas não se tornam melhores – em público não se privam, em privado se publicam.
E tudo é marketing – e máscara: “Somente em mensagens a vida é linda”.
(…)
O filósofo e matemáticos Descartes não quis separar corpo e mente, como querem entender alguns. Quando proferiu sua máxima “Penso, logo existo” quis evidenciar, e evidenciou, o espírito desse mamífero “único e exemplar”, que é o homem.
Já Hobbes fez ver o “animal mortífero” quando sentenciou: o homem é o lobo do homem – os outros animais têm apenas os instintos, o homem também o espírito: a loba que amamenta Rómulo e Remo é uma alegoria sobre o afeto – o leite – e a ferocidade humana – o sangue.
(…)
E o poeta diz isso maravilhado com “esse único e exemplar mamífero”: o ser capaz dos afetos e do cálculo, (…).O ser se alia e ama, nasce e mama, se alia e(…)
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