ERROS DAS POLÍTICAS DE SEGURANÇA PÚBLICA
Por ANTONIO MARCIO JUNQUEIRA LISBOASobre o livro
Considero que a prevenção da violência é principalmente um problema pediátrico que, para ser resolvido, exigirá o concurso de profissionais conhecedores das necessidades emocionais das crianças – pediatras, psiquiatras infantis, psicólogos, educadores, assistentes sociais, sociólogos, antropólogos.
O combate à criminalidade é de responsabilidade do Estado, da Justiça e dos órgãos de segurança. Sem programas dirigidos à prevenção de comportamentos antissociais, responsáveis pelo aumento da delinquência, a violência seguirá crescendo, consumindo recursos fabulosos sem o retorno esperado.
A violência é uma doença psicossocial. Não é causa, e sim, na maioria das vezes, consequência da ação de indivíduos portadores de sérios distúrbios comportamentais, derivados, em sua maioria, de transtornos afetivos graves ocasionados por “repulsas parentais”.
Só diminuirá significativamente quando nos conscientizarmos de que sua prevenção está na formação de cidadãos com personalidades sadias, com caráter e bons princípios e valores.
Razão pela qual, as políticas deveriam ser dirigidas principalmente para promoção e proteção da saúde mental das crianças menores de 6 anos, época em que se estrutura a personalidade.
A paz só será conseguida, se as famílias oferecerem atenção, amor e segurança aos filhos; se os lares forem bem estruturados; se houver bons exemplos dos pais e boa convivência familiar; se existirem condições favoráveis ao bom desenvolvimento do apego e da prática do diálogo; se forem poucas as punições e muitas as recompensas; se os castigos físicos forem abolidos.
Tudo isso ajudará a criança a ser disciplinada, a ser conhecedora dos seus limites, a aprender bons princípios e valores, a ter autoestima elevada, condições essenciais para uma sólida estruturação de sua personalidade, de seu caráter, de sua moral, que a protegerá de desvios de comportamento.
As Políticas de Segurança Pública para o controle da violência têm usado medidas punitivas e repressivas, que veem sendo aplicadas há mais de um século. Os resultados têm sido decepcionantes. Apesar disso, continuam sendo repetidas com os mesmos nomes, ou semelhantes.
Em nenhum dos Planos de Combate à Violência foi sequer proposta uma ação que tivesse como finalidade prevenir a formação de indivíduos com distúrbios do comportamento – infratores, delinquentes, traficantes.
Sem sombra de dúvida, o maior erro das Políticas de Segurança Publicas foi não prevenir a formações de delinquentes.
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