Sobre o livro
Em Entre sopros e silêncios, Giovani Miguez nos entrega o diário lírico de um ano — 2025 — onde o calendário serviu apenas de pretexto para investigar as fraturas da existência.
Organizada mês a mês, a obra transcende a coletânea de versos para se tornar uma crônica da sobrevivência psíquica e social .
Aqui, o “sopro” é o vendaval da história — as guerras televisionadas que transformam cidades em escombros , a fome que se arrasta nas calçadas e a aceleração tecnológica que molda o humano .
Já o “silêncio” é o contragolpe da alma: o luto pela avó que parte, o assombro diante do crescimento dos filhos e a pausa necessária para catar feijão ou ler filosofia enquanto o mundo lá fora grita.
Com uma voz que oscila entre a acidez da crítica social e a ternura da paternidade, o autor dialoga com pensadores como Agamben, Zubiri e Bachelard , mas sem jamais tirar os pés do chão sujo da rua ou da complexidade do afeto . São poemas-documento, escritos por um “animal poético” que se recusa a desviar o olhar das feridas — sejam elas de Gaza ou de um domingo vazio no subúrbio.
Esta é uma leitura para quem busca não apenas a beleza estética, mas a ressonância ética. É um convite para descobrir que, na fenda entre o barulho do mundo e a quietude de dentro, a vida não apenas acontece: ela resiste.
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