Entre Paralelos e Meridianos

Por Fernando Benedito Jr.

Sobre o livro

O Leste da Europa e o Oriente Médio são o cenário deste romance que envolve um correspondente de guerra e uma fotógrafa nos principais conflitos que o mundo viveu nas duas últimas décadas do século XX.

Entrecortada pelas notícias enviadas à agência em Praga e temperado com paixão e violência, a narrativa faz um breve relato das mudanças ocorridas nos estados totalitários do Leste europeu, que avançaram para a democracia ao mesmo tempo em que evoluíam as novas tecnologias da informação.

Em 1989, caia o Muro de Berlim e com ele todas as repúblicas socialistas do Leste Europeu. Na América Latina, as ditaduras que dominavam o continente também desmoronavam e no Oriente Médio continuavam os conflitos entre árabes e judeus.

É neste cenário de guerras santas e outras nem tanto, de luta pela democracia e de mudanças, que o correspondente estrangeiro Daniel descreve e escreve as mudanças que vão se operando no mundo contemporâneo, ao mesmo tempo em que acompanha a evolução tecnológica dos meios de comunicação.

“Entre Paralelos e Meridianos” faz um relato breve, mas nem por isso superficial, da história contemporânea vista sob a perspectiva de um jornalista que, saindo de Minas Gerais, percorre o mundo na tentativa de romper com o provincianismo.

De batalha em batalha, de lugar em lugar, faz muitas descobertas. Entre elas, constata que toda aldeia tem um portão que leva ao mundo e por ele se volta ao mesmo lugar.

Pressionado pelo tempo, pela urgência da notícia e da informação, mas principalmente pelo fogo cerrado sob o qual vivem os jornalistas de guerra, o correspondente mostra aos que estão à margem da notícia o que acontece em rincões que sequer imaginavam existir.

Assim, torna-se os olhos daqueles que não vêem e, por isso, deve ter a imparcialidade como um princípio do qual não se abre mão. Mas, nem sempre é o que ocorre…

As contradições e os paradoxos, algumas vezes marcados por estranhas coincidências que podem ser fatais, são fatores de risco constante, tanto quanto os interesses das partes em conflito e os tiros que disparam.

Todavia, correr riscos é inerente à condição a quem está em meio à guerra, ainda que, supostamente, em campo neutro.

Com uma narrativa entrecortada pelas “notícias” que o correspondente envia à agência, desde Praga, Beirute ou do Kosovo, “Entre Paralelos e Meridianos” funde realidade e ficção, cumprindo o pressuposto de se complementar num relato dentro de um relato.

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