ENTRE MITOS E PERCEPÇÕES: História das Eleições Presidenciais do ano 2002

Por V.M. CAMARGO

Sobre o livro

Em 2002, pela primeira vez, o Brasil escolheu um candidato de esquerda como seu presidente. Este mesmo candidato, um ex-líder sindicalista, já havia sido recusado três vezes antes por esta mesma sociedade. Por que ela agora o aclamava como líder? O que mudara? Quem tinha mudado?

Como foi este processo? Quais foram seus mecanismos? A análise histórica de um fato recente é sempre uma ação difícil de realizar. O risco de faltar com a objetividade, de se deixar levar pela subjetividade, está sempre presente.

Mas é um estudo necessário se queremos seguir com nossa prática democrática republicana. Além disso, é essencial que se faça compreensível o que esse ritual periódico significa para nós, como o percebemos historicamente, e que outros significados são extraídos deste evento.

O que representa para a sociedade a figura do representante que a preside? Como ela o escolhe? O que é levado em consideração nessa escolha? Como é construída a percepção histórica do tempo presente, e como ela influencia nessa escolha? Um presidente é mais do que uma figura burocrática da república.

Ele é a representação mais atual que existe do arquétipo do chefe tribal. É a síntese humana do que a sociedade vê como necessário ou ideal para um determinado momento.

Ao buscar seu representante legítimo a sociedade acaba encontrando ela mesma, e os instrumentos que usa neste ato de compreensão do outro e de si mesma vão muito além do racional.

Mitos, narrativas heroicas, rituais de iniciação, são uma parte importante na formação desta percepção que o eleitor usa para decidir quem é seu legítimo representante, tanto quanto a análise racional sobre as propostas e personalidades dos candidatos.

A resposta para a pergunta inicial é, assim, complexa, intrigante, e menos óbvia do que pode parecer a princípio. Neste trabalho o historiador V. M. Camargo convida o leitor a refletir sobre a formação da percepção histórica que o cidadão utiliza para escolher seu máximo representante.

Seu objeto de estudo, a eleição de Lula em 2002, é ampliado sob a ótica da antropologia cultural para extrair dele não apenas o aspecto social e político, já bem conhecidos, mas principalmente a relevância cultural para a história do Brasil.

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