Sobre o livro
Enseada das Gaivotas é uma obra de ficção, na qual o autor criou um país, situado em uma ilha no Oceano Atlântico, com uma área de quatrocentos e cinquenta mil quilômetros quadrados, distante mil e quinhentos quilômetros de Portugal, e que recebeu o nome de Atlanta; coincide, aproximadamente, no mapa, com a posição dos Açores.
Da mesma forma, a ilha dos piratas, Catarina, e a ilha vizinha, Pindorama, são criações do autor e foram inseridas no Mar do Caribe. Ambientado entre o final do século XVII e o início do século XVIII, o romance obedece aos costumes e às limitações tecnológicas da época.
No tocante a inovações, principalmente no preparo profissional dos homens do mar, foram utilizadas algumas licenças literárias, entendamo-las como uma antecipação do que viria ocorrer na Europa pouco tempo depois.
Há citações de acontecimentos históricos e a intenção é de posicionar o leitor, que está envolvido com um cenário ficcional, em um contexto macro, cuja finalidade é de que se sinta como um observador de situações reais.
A história ocorre durante a época áurea dos piratas e acompanha a trajetória de James desde os quatorze anos de idade. Ele perdeu os pais, quando tinha cinco anos, por ação do pirata mais temido e cruel daquele período, fato que deflagrou a ânsia de vingança que não o abandonou até a fase adulta.
Além dos confrontos, corriqueiros naquela época, o romance enfatiza os percalços existenciais e a procura obstinada de caminhos que levem à consecução de objetivos. A história é centrada em Trindade, cidade de Atlanta.
Sinta-se como uma testemunha dos acontecimentos, envolva-se com James, com Stephanie, com o Conde de Villaverde, com Dom Pablo, com o Rei Loberto, com a Marquesa Verena, com o Padre Aatami… seja um cidadão trindadense.
Diálogo entre James e Stephanie, sentados no cais e com as pernas pendentes em direção às águas da Baía de São Sebastião. Ele iria completar quinze anos no mês seguinte e ela alcançara os treze anos havia dois meses: “— Stephanie… você me conhece tanto… sabe que nunca presto juramento.
— É, eu sei. Promete, então. — Prometo, mas só para tranquilizá-la. Promessa remete à obrigação e estamos tratando de sentimentos. Quem gosta, como eu gosto de você, não esquece porque não consegue esquecer. — Está bem, está bem, está bem…
— Segurou novamente a mão do rapaz e, com o olhar perdido, disse: — Se o Deus Poseidon não fosse fruto de uma lenda, eu pediria para ele me dotar de asas, como fez com o cavalo Pégaso, nascido do sangue da Medusa; assim, eu poderia voar todos os dias, depois das aulas, para vê-lo. Procure imaginar.
Eu viria voando junto às águas do mar. Quando estivesse na altura da Enseada das Gaivotas, bateria as asas em direção ao céu, depois, desceria em grande velocidade e pousaria, com as asas abertas, junto àquela elevação de areia, seu lugar favorito.
Você estaria todos os fins de tarde lá, ansioso, recorrendo a Poseidon para que ele não me deixasse atrasar.”
“O DESPERTAR DE UM GRANDE AMOR.” Nélio Marques da Silva
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