Sobre o livro
Desde rapaz não apreciava namorar mocinhas da minha idade, namorar de portão, passear de mãos dadas nas praças e calçadas, dar apenas beijinhos e uns pequenos amassos, isso estavam completamente fora das minhas cogitações e preferências.
Procurava mais, não se por que, de mulheres de mais idade, atraentes, feitas, independentes, livres e experientes que me satisfaziam plenamente. Lembro-me quando tinha dezenove anos, em mil novecentos e cinquenta e nove, fui ao baile, no sábado de carnaval, na Embaixada do Sossego.
Com antecipação comprei uma calça branca, uma camisa de malandro, alpargatas brancas, um chapéu de oficial da marinha e quatro lanças perfumes para usar nestes dias de folia.
A Embaixada do Sossego era uma das agremiações que pertenciam ao grupo das Grandes Sociedades Carnavalescas, que desfilavam na terça-feira gorda na Avenida Rio Branca no centro do Rio de Janeiro.
Este grupo das Grandes Sociedades era completado com as agremiações dos Democráticos, Cariocas, Tenentes do Diabo, Turunas de Monte Alegre e Pierrôs da Caverna. Neste período, as grandes Sociedades estavam em evidência, como Os Ranchos, os Frevos e os Blocos, e em grande evolução as Escolas de Samba.
Essas Sociedades montavam alegorias motorizadas, lindamente enfeitadas e adornadas e seus corsos em carros abertos. As alegorias representando o tema do desfile, geralmente uma sátira política, ao governo, ou algum acontecimento que virou um grande mico, feita por uma personalidade conhecida.
Nesses carros alegóricos com seus lindos destaques, que eram mulheres seminuas e lindamente fantasiadas, que dançando e pulando distribuíam beijos e acenos, ou rapazes também fantasiados e com seus adereços e seminus Os corsos se apresentavam em carros abertos, entre as alegorias, com folionas e foliões alegres cantando para que também levassem animação ao público.
Cheguei cedo à frente desta agremiação, aproveitei e tomei um pouco de bebidas e um salgadinho, por ser bem mais barato, num bar que fica quase em frente, na esquina da Rua Gomes Freire com Constituição, próximo da Praça Tiradentes.
De lá escutava o som da banda, depois de pouco tempo, não aguentando a ansiedade comprei o ingresso e subi para o baile. Acomodei-me perto do balcão do bar, num lugar estratégico por ser à entrada do banheiro feminino.
Ficava ali dançando com meu copo de cuba libre na mão, flertando as carnavalescas entrarem para se arrumar e se maquilar, jogando esguichos de lança perfume em seus cangotes, oferecendo minha bebida e beliscando as bebidas delas.
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