Educação invisível: a infância entre resistência e enraizamento

Por Elisângela Moreira Peraci

Sobre o livro

A instituição escolar tornou-se central na sociedade contemporânea e adotou o modelo das organizações econômicas do mundo capitalista, cujo caráter é puramente mercantil. Nesse sistema organizacional monocêntrico, imperam o espaço econômico e a dimensão de tempo serial.

Esse espaço-tempo comporta uma visão teleológica de mundo e uma concepção funcional da razão, de caráter utilitário, que descreve o ordenamento das pessoas no nível pessoal ou social.

Como reflexo desse enfoque, tem-se o espetáculo e a mercantilização do conhecimento, bem como o espetáculo da infância.

Considerando a escola como uma organização mercantil em que prevalece a ideia de tempo serial, é possível admitir que as concepções de infância e de desenvolvimento infantil assumem um caráter linear e cronológico.

Portanto, pode-se pensar que quanto mais escolarizada for uma coletividade, mais forte será a tendência a atribuir à infância e ao desenvolvimento o sentido da vida adulta.

Em vista de tais argumentos, buscou-se examinar se as concepções de infância e de desenvolvimento infantil guardam relação com o grau de importância e penetração da escola na vida de uma comunidade.

O sistema social e temporal hegemônico em nossa sociedade não é o único; outros sistemas coexistem com a economia e com o tempo serial, como a isonomia, cujo tempo característico é o convivial, e a fenonomia, com seu tempo de salto.

Num sistema paraeconômico, os três tempos e os três espaços atuam simultaneamente na vida das pessoas. Foi esse sistema paraeconômico que encontramos em comunidades tradicionais do interior do Maranhão, cuja atividade principal é a quebra do coco babaçu e a agricultura.

Nessas comunidades, a escola não é central na vida das pessoas. Os pais reconhecem a importância do conhecimento escolar, mas ele não define o lugar das pessoas e o futuro das crianças. Além disso, os pais não dissociam o desenvolvimento e a aprendizagem da criança.

Na criação de cada filho, a concepção que os conduz contém ideias de autonomia e de responsabilidade da criança, seja com ela mesma ou com os demais. E isso acontece quando a criança convive com os pais na atividade do trabalho.

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